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15 de abril de 2024
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Agora evangélica, Stephany Absoluta diz: “Eu estava no picadeiro de um circo”

Direto de Inhuma-PI – No sítio com fachada de clube, um grupo de senhoras de cabelo arrumado, blusas passadas e saia no joelho aguardam sentadas em frente a um palco ornamentado e vazio. Atrás dele, de vestido rendado e longo está a anfitriã da noite: Stephany Absoluta. Ela dá entrevista à TV Fama antes do evento começar. Tem algo nas mãos, não é um CD, nem microfone. É um livro cujo título, descubro depois: Bíblia da Mulher.

 

Estamos em Inhuma, cidade onde a artista cresceu e viveu, a 254 km de Teresina. O cenário lembra uma quermesse – barraquinhas, lâmpadas improvisadas e pessoas arrumadas para assistir ao “Culto de Consagração do 1º CD Stephany Absoluta – A escolhida por Deus”. Sim, a cantora “linda e absoluta”, converteu-se ao evangelho e agora faz parte da Assembleia de Deus de Belém.

 

Em um ano, Stephany trocou as roupas do figurino sexy (desenhado pela sua mãe, Nety), por vestidos e saias comportados. Abdicou da carreira de shows e apresentações na televisão em nome de “cruzadas” – viagens para cidades e igrejas da ordem evangélica. É, agora, o que chamam de “missionária”.

 

“Eu renunciei tudo”, diz a cantora sobre seu novo estilo. “Mesmo tendo tudo, eu sentia um vazio dentro do meu coração. Andei por tantos lugares e não consegui me preencher”, revela, cinco anos após estourar na internet com o vídeo “Eu sou Stephany”. A versão da adolescente para “A Thousand Miles”, de Vanessa Carlton, teve milhões de acessos, críticas e consequências.

No sítio da família, em Inhuma, os cultos acontecem uma vez por mês (Foto: Mauricio Pokemon)

Stephany tinha apenas 17 anos quando tudo aconteceu. Ela seguia os passos da mãe, Nety França, que criou as duas filhas costurando e cantando em bandas de forró no interior do Piauí.  Aos oito anos ela cantou pela primeira vez e Nety reconheceu na filha um talento. Passou a a incentivá-la a seguir carreira musical. Elas duas produziram, com a câmera de um celular, o clipe que foi parar na internet em 2009.

 

Foi um estouro, e naquele ano a menina participou de vários programas de TV – chegou a ganhar o automóvel, que para ela era representação de poder e auto estima (o do clipe era emprestado), no palco do Caldeirão do Hulk. Cantou com Preta Gil, teve seu hit disparado em trios elétricos de Salvador por Cláudia Leite e virou cadeira cativa no programa da Eliana, no quadro “Famosos do Youtube”. Mas o “sucesso” de Stephany sempre veio assim, acompanhado de aspas.

Evento de consagração do cd gospel reuniu fiéis de toda a região sul do Piauí (Foto: Mauricio Pokemon)

A veia religiosa, de algum modo, não é tão novidade. Setphany conta que aos 12 anos cantava em corais de igreja levada por sua mãe. As aventuras que viveu a bordo do seu Crossfox ficaram para trás e são julgadas por ela, hoje, como momentos de pura aflição. “Naquele período da minha vida eu estava no picadeiro de um circo”, afirma emocionada. “Deus me tirou dali”.

Stephany chora ao apresentar seu novo CD (Foto: Mauricio Pokemon)

Uma vez convertida, o próximo disco que lança esse mês é de música gospel. As 14 faixas, compostas por ela, são frutos de uma experiência transcendental. “Eu tinha acabado de gravar a novela ‘Cheias de Charme’ e estava me sentindo muito perdida”, revela. “Eu dormia em quartos de hoteis por aí, longe da minha família, preocupada em pagar as contas. E o Espírito Santo de Deus me mandava em sonhos essas canções”.

Pastores e missionários fazem oração pelo novo CD da cantora (Foto: Mauricio Pokemon)

A família toda de Stephany, desde que passou a viver em ponte-aéreas de shows e apresentações pelo Brasil, vive do seu trabalho. “Isso fez eu pensar muito, antes de tomar essa decisão. Eu liguei para minha mãe e ela me apoiou”, diz a cantora. “Recebi muitas críticas, muitas pessoas passaram a não gostar e comentar coisas sobre minhas roupas, mas acredito que os verdadeiros fãs, aqueles que gostam de mim de verdade, entenderam minha decisão”.

Stephany: “O Espírito Santo me mandou em sonhos essas canções” (Foto: Mauricio Pokemon)

Assim como a carreira artistica, a religiosa segue em família. De carona com Stephany, a irmã, Ariele (ex- Ari Loba), com quem chegou a gravar um CD, também converteu-se a Assembleia de Deus. Ela administra as redes sociais da irmã.

 

O terreno da família é amplo e bastante conhecido na região “das baixas”, em Inhuma. A casa é simples, mas ao fundo esconde um palco e área com piscina. O espaço que antes sediava shows de forró e outras festas “mundanas”, agora é cenário de um culto evangélico toda primeira sexta-feira do mês. É ali que Stephany ajoelha com a mão sobre a bíblia, o novo disco, e chora diante de centenas de fiéis. Passada a “consagração”, ela canta duas novas canções e anuncia que o disco estará a venda. Só Deus pode julgar.

 

TESTEMUNHO VALIOSO

 

A mudança radical na vida de Stephany pode ter relação com a chegada de Márcio França a família. Paulista e filho de pastor, casou-se com Nety mas prefere não datar o envolvimento. O padrasto, no entanto, revela que conheceu Stephany aos 16 anos – curiosamente o período que ela despontou no Youtube. Hoje, é ele que cuida da agenda e da produção do disco gospel.

 

De segunda a segunda eles viajam em uma SW4 plotada – a nova fase de Stephany mereceu novo ensaio fotográfico, com roupas mais discretas. “A escolhida por Deus” e “Deus proverá” compõem o layout.

 

Stephany participa de eventos em igrejas por todo o Nordeste, como missionária – ela conta sua história de vida e revela como “encontrou Jesus”. “Como ela viveu durante alguns anos no mundo secular, consegue contar com o coração como se sente hoje voltando a glória de Deus”, diz Márcio. “O testemunho dela é valioso”.

 

ABSOLUTA?

 

Stephany não acredita que a nova religião fechará portas em sua carreira. “Nada é impossível para Deus, e também não quero defender religião, apenas revelar as pessoas o que ele fez na minha vida”, observa. Ela diz que vai continuar produzindo clipes e rebate críticas sobre a permanência do codinome “absoluta” – questionaram na internet porque alguém que se diz crente adjetiva-sa assim. “Eu sou filha de Deus, ele me fez linda, perfeita, maravilhosa, não vejo o menor problema em reconhecer isso”.

 

NO MEU CROSSFOX

 

Os exóticos clipes de Stephany, juntos, já somam mais de 100 milhões de visualizações no Youtube. É quase impossível ver um modelo Crossfox na rua e não lembrar do seu hit-paródia.

 

 

 

 

Fonte: O Olho

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