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4 de junho de 2026
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Em carta, jovem agradece a profissionais de saúde que cuidaram de seu pai com Covid-19

Pai de Priscila em tratamento — Foto: Arquivo Pessoal/Priscilla Medeiros

A advogada Priscilla Medeiros fez uma carta onde agradeceu e reconheceu o trabalho dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente contra à Covid-19. Seu pai, de 57 anos, ficou 10 dias internado por complicações da doença e Priscila resolveu fazer essa homenagem às pessoas que cuidaram de seu pai, quando ele deixou o hospital.

“Nós somos muito gratos a todos os profissionais, entendemos as limitações que existem estruturais. Eles também têm familiares, têm perdido familiares também. Então a carta foi no intuito de mostrar gratidão pela cura do meu pai, que ainda está em tratamento, e sobretudo, para agradecer a esses profissionais”, contou Priscilla.

Toda a família de Priscilla contraiu o coronavírus. Além de seu pai, sua mãe, de 56 anos de idade, sua irmã e irmão, de 27 e 29 anos, respectivamente, ficaram doentes. A advogada ficou responsável pelos cuidados de todos. Mas somente seu pai ficou em estado mais grave, internado duas vezes e contabilizando 10 dias em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Jovem faz carta para agradecer profissionais da saúde que atuam na linha de frente contra a Covid-19 — Foto: Arquivo Pessoal/Priscilla Medeiros

Na carta, Priscilla, agradeceu os gestos que passam despercebidos pelos médicos e os demais profissionais que também trabalham no combate a esse vírus. Além disso, ela contou sobre a forte ligação que tem com seu pai e descreveu os momentos que viu ao longo de seu tratamento. Leia a carta na íntegra:

“Carta aberta aos profissionais de saúde:

Pai,
Depois de 15 dias acabei de ver um sorriso tímido saindo do canto da sua boca. Te ver respirar aqui na fisio respiratória é o que me faz acordar e principalmente conseguir dormir.
Tem sido dias difíceis, eu sei. Lembro bem daqueles corredores que esgotavam minhas lágrimas. Lembro com muita dor daquelas famílias que, como a nossa, chegavam em desespero. Lembro de como ficamos consternados com a informação da internação urgente. Foi uma despedida cruel. Lembro da última troca de olhares antes de entrar no setor de isolamento do hospital e também do que trocamos quando chegou a hora de voltar pra casa. Muita insegurança, medo, desespero. As súplicas que assisti naqueles corredores eram mais sinceras que muitas preces decoradas.
A casa parecia vazia e a vida mais ainda. Tudo perdeu o sentido. O samba que mais ouvimos juntos me dilacerava sempre que tocava. E aí, pai, tivemos que voltar alguns degraus e reaprender. A viver. Temos aprendido tanto.
A vida é efêmera. As pessoas nos são caras. O que parecia importar não tem valor algum. O que vale é ter com quem contar, pai.
É por isso que destinei essa carta aos profissionais de saúde. O coração parecia voltar a bater quando o whats app que chegava era de um dos médicos. Minhas lágrimas eram enxutas pela atenção daquela enfermeira que cruzara comigo e disse que o senhor melhorara. A tentativa do maqueiro em me fazer sorrir me fez ter gratidão.
Mas eles estão exaustos, pai. Eles não dormem. Eles também perdem familiares nesta luta. Vi tanta reanimação e tantos rostos desolados pelas incansáveis tentativa. As portas se abriam e fechavam. Eles entravam e naquele momento deixavam seus familiares, medos e cansaço de lado pra salvar nossas vidas. Lembro que tiravam um tempinho para me mandar mensagem com os resultados laboratoriais do dia. Lembro dos áudios e mensagens consoladoras e positivas. Lembro de cada gesto. Talvez eles nem saibam, pai, mas eles me salvaram/tem me salvado também.
Ingrid, obrigada por ser contribuição ao universo com seu carisma, seu profissionalismo e amor ao que faz. Sua positividade cura!
Arthur e Gabi, vocês recarregaram minha bateria por dias. Todo cuidado me alcançava como um abraço. Muito obrigada!
Breno Ivo, o tempo passou e você continua o mesmo amigo que ganhei do IDB. Doce, tranquilo e muito amigo. Eu me enchi de orgulho de te ver exercer o ofício com tanta dedicação e amor.
Laís Freitas, gratidão por me devolver o ar, por ter comprado minha luta quando eu não tinha mais forças.
Luminha, lembro que mesmo com o tempo curto você me deixava mais tranquila e confiante. Muito obrigada!
Rafael Alencar, obrigado pela dedicação, apoio e sobretudo por ter tirado aqueles minutos na portaria para mim ouvir. Você salvou aquele meu dia!
Talline, sua atenção foi extremamente importante e fez eu me sentir querida e em boa companhia. Um abraço bem apertadão, amiga.
Nossos agradecimentos sinceros a todos os familiares, amigos, colegas e “anônimos” que emanaram boas energias, fizeram preces, mandaram mensagens, cuidaram de mim (e da minha família) de alguma forma!
A todos os profissionais de saúde:
Um sorriso, um tratamento atencioso, um esclarecimento aos familiares, uma mensagem sobre o paciente ou talvez uma mensagem acolhedora. Isso salva!
Obrigada, amigos enfermeiros, médicos, maqueiros, cozinheiros e auxiliares de limpeza, fisioterapeutas, assistentes sociais, recepcionistas. Vocês salvam muitas vidas todo dia! Não desistam.
Sigam!
Sou muito orgulhosa de todos vocês!
Aos que estão vivendo isso ou já viveram: contem comigo! Sejamos gratos pela oportunidade. Não há constrangimento em pedir ajuda.
Aos que não viveram: sejamos gratos e sobretudo tenhamos empatia. Ajudemos! Nos coloquemos no lugar! Uma mensagem, um carinho, uma energia positiva, uma prece, qualquer gesto vale.
A todos: a vida é breve. Aproveitemos. Amemos. Perdoemos.
Não é discurso pronto. É sobre a vida como ela é.
A Deus: obrigado por tudo! Pela saúde e por todas as dificuldades que precisamos enfrentar pela oportunidade de evolução.”

Fonte: G1-PI

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