16 de julho de 2026
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Estudantes da UFPI conquistam prêmio na Expocom Nordeste com podcast sobre caso Castelo do Piauí

Arquivo pessoal

Estudantes de Jornalismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI) conquistaram o prêmio de Melhor Podcast na Expocom Nordeste 2026 com a produção “Flores de Castelo”, trabalho que revisita o caso ocorrido no Morro do Garrote, em Castelo do Piauí, em 2015. O projeto foi desenvolvido pelas alunas Antônia Bispo, Camila Tomaz, Jhulianna Cally, Maria Eduarda Rocha, Maria Vitória Silva e Rita de Kássia como trabalho final da disciplina História do Jornalismo no Piauí.

A premiação ocorreu durante o Congresso Regional da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), realizado entre os dias 8 e 10 de julho, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Com o resultado, o grupo garantiu a classificação para representar a UFPI na etapa nacional do evento.

A criação do “Flores de Castelo” começou na disciplina História do Jornalismo II, que propôs aos estudantes a produção de um podcast sobre uma cobertura marcante da imprensa piauiense. A escolha pelo caso de Castelo do Piauí surgiu após debates sobre reportagens produzidas na época e pela relevância do episódio para a história do jornalismo no estado.

Segundo as estudantes, o objetivo foi construir uma narrativa diferente da abordagem policial tradicional presente em parte das coberturas de crimes de grande repercussão.“Todo o processo iniciou a partir de uma disciplina do curso de Jornalismo. A gente precisava escolher uma cobertura marcante que tivesse acontecido aqui no Piauí. Quando pensamos em uma forma de contar essa história, buscamos trazer outro olhar, sem revitimizar, com cuidado e aprofundamento”, explicou Jhulianna Cally.

A pesquisa envolveu levantamento documental, análise de veículos de comunicação e entrevistas com jornalistas que acompanharam o caso, familiares das vítimas, delegados e profissionais ligados ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Os episódios foram organizados para apresentar diferentes aspectos da história. O primeiro aborda a reconstituição dos acontecimentos; o segundo analisa a cobertura realizada pela imprensa piauiense e nacional; e o terceiro discute legislação, políticas públicas e mecanismos de enfrentamento à violência de gênero.

Durante o processo de produção, as estudantes também investigaram como diferentes veículos de comunicação abordaram o crime em 2015, buscando refletir sobre as escolhas narrativas da imprensa em casos envolvendo vítimas de violência.

Maria Vitória Silva destacou que o formato podcast permitiu ampliar a investigação e aprofundar a discussão sobre o caso.“Quando pensamos em uma cobertura marcante, lembramos logo do caso. Somos um grupo de seis mulheres e essa história nos atravessou desde a infância. A partir disso começamos a pesquisa, as entrevistas e a coleta de informações para construir o podcast”, afirmou.

A estudante também ressaltou o cuidado da equipe na construção da narrativa.“Um dos principais desafios foi não revitimizar as vítimas. Buscamos contar o caso sem sensacionalizar, trazendo discussões sobre violência contra a mulher, cobertura jornalística e ética”, disse Jhulianna.

Capa “Feridas de Morte” orienta estética do podcast

A identidade visual do podcast foi construída a partir de referências da cobertura do jornal O Dia sobre o caso. Entre os elementos utilizados como inspiração esteve a capa “Feridas de Morte”, publicada em 2015, que apresentou flores vermelhas sobre fundo branco como forma de representar a dimensão do acontecimento sem recorrer a imagens explícitas de violência.

Segundo Antônia Bispo, a visita ao jornal O Dia e o contato com o processo criativo da equipe responsável pela cobertura influenciaram diretamente a construção estética do podcast.“Quando visitamos o jornal O Dia, as capas e o processo criativo apresentado chamaram nossa atenção pelo cuidado e pelo respeito às vítimas. Isso inspirou a serialização das capas do podcast, em que começamos com um galho simples e, ao longo dos episódios, o galho floresce”, explicou.

As estudantes também se inspiraram no projeto “Flores para Elas”, iniciativa criada por amigos das vítimas e pessoas sensibilizadas pelo caso para arrecadar doações destinadas ao tratamento das jovens e ao apoio às famílias.

Em “Feridas de Morte” (2015), pétalas caídas representam a brutalidade do ocorrido e o impacto emocional causado pelo crime cometido em Castelo do Piauí. - (O Dia)O Dia

Em “Feridas de Morte” (2015), pétalas caídas representam a brutalidade do ocorrido e o impacto emocional causado pelo crime cometido em Castelo do Piauí.

A flor miosótis foi escolhida como elemento central da identidade visual por representar a ideia de memória e lembrança. Para o grupo, o símbolo reforça a proposta do podcast de manter viva a discussão sobre o caso e seus impactos sociais.

Segundo Antônia, a equipe buscou um design minimalista, evitando excesso de elementos visuais e mantendo uma conexão entre estética e mensagem.“Buscamos demonstrar visualmente nossa solidariedade como mulheres piauienses que cresceram ouvindo sobre o caso das meninas. A escolha das cores e dos elementos visuais foi pensada para comunicar nossos valores e ideais”, afirmou.

A Expocom reconhece trabalhos experimentais desenvolvidos por estudantes de Comunicação de instituições de ensino superior brasileiras. Após a conquista regional, as estudantes se preparam para participar do 49º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2026), etapa nacional da competição.

Fonte: O Dia

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