18 de abril de 2024
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Rússia classifica movimento LGBT como terrorista e proíbe ativismo no país

Reprodução/Freepik

Rússia adicionou, nesta sexta-feira (22), o “movimento internacional LGBT” à sua lista de organizações extremistas e terroristas, em uma decisão da Suprema Corte do país, que seguiu um pedido feito pelo Ministério da Justiça em novembro do ano passado. Segundo a agência estatal de notícias RIA, a designação abrange o “movimento social LGBT e suas unidades estruturais”.

Essa inclusão efetivamente proíbe o ativismo LGBT em território russo e intensifica ainda mais a repressão à comunidade. A decisão provocou críticas de organizações de defesa dos direitos LGBTQIA+ em todo o mundo. A Arcigay de Nápoles, uma das principais ONGs de defesa da comunidade LGBT na Itália, expressou forte desaprovação em relação à medida russa.

“Com um mundo em guerra, a verdadeira grande revolução chama-se paz, e é por isso que um dos senhores da guerra, Vladimir Putin, está assustado, obcecado e aterrorizado pelas nossas associações e pelo nosso movimento de libertação sexual, que sempre foi pacifista e não violento”, declarou Antonello Sannino, presidente da Arcigay da capital da região da Campânia.

A lista de organizações extremistas e terroristas, gerenciada pelo Serviço Federal de Monitoramento Financeiro (Rosfinmonitoring), confere poder para congelar contas bancárias de pessoas ou grupos classificados como extremistas ou terroristas. Segundo a Reuters, atualmente, a relação contém os nomes de cerca de 14 mil pessoas e entidades.

Essa classificação do movimento LGBT como terrorista se insere em um contexto mais amplo de repressão aos direitos civis na Rússia, liderada pelo presidente Vladimir Putin, em prol do que ele considera valores familiares em oposição à “decadência” dos costumes ocidentais.

Nos últimos anos, o governo russo tem adotado uma série de restrições à expressão da orientação sexual e identidade de gênero. Recentemente, um tribunal russo determinou a prisão preventiva de dois funcionários de um bar gay, acusados de administrarem uma “organização extremista”, marcando o primeiro caso desse tipo após a decisão da Suprema Corte.

Desde a invasão à Ucrânia em fevereiro de 2022, as autoridades russas intensificaram a repressão às liberdades civis no país. Medidas como a proibição da “propaganda gay” entre adultos, tornando ilegal o uso de expressões referentes a “relações sexuais não tradicionais” em público e na mídia, bem como a ampliação das restrições aos “agentes estrangeiros”, têm sido adotadas.

Além disso, em 2022, a Rússia baniu as cirurgias de redesignação sexual, com o presidente da Duma qualificando essa prática como “o caminho para a degeneração”.

Fonte: O Dia

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