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3 de junho de 2026
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Para Júlio Arcoverde, rejeição de Jorge Messias ao STF revela fragilidade da governabilidade de Lula

Júlio Arcoverde

O deputado federal Júlio Arcoverde (Progressistas) afirmou que não vê ambiente político favorável, no momento, para que a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faça uma nova indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao menos até o fim deste ano. As declarações foram concedidas ao PortalODia.com nesta semana.

A avaliação ocorre após o Senado rejeitar, na última quarta-feira (29), o nome do então advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, indicado por Lula para a vaga na Corte. A votação, secreta, terminou com 34 votos favoráveis e 42 contrários, configurando uma derrota para o Palácio do Planalto.

Segundo Júlio Arcoverde, o resultado reflete falhas na articulação política do governo junto ao Congresso Nacional. Para o parlamentar, apesar do currículo do indicado, a condução do processo pesou para a rejeição.

“Eu venho dizendo há muito tempo que em relação ao Legislativo o governo Lula já acabou. Pode ter alguma referência na parte administrativa, mas tanto no Senado como na Câmara, isso já estava derretendo. Então, tudo o que aconteceu na última semana é um reflexo dos últimos três anos do governo, que não trouxe nenhuma inovação, não entregou nada que prometeu durante a campanha eleitoral”, afirmou.

O deputado também minimizou a possibilidade de uma nova indicação no curto prazo, mesmo diante de avaliações dentro do PT de que a escolha de uma mulher, especialmente negra, poderia reabrir o diálogo com o Senado.

“Eu acho muito difícil, porque o problema não foi a indicação da pessoa. Eu não conheço o indicado, que até morou aqui no Piauí. Dizem que ele tem um currículo muito bom, ele é um grande jurista, uma pessoa do bem. Particularmente, eu não acredito que o presidente Lula vá pautar a escolha de ministro Supremo antes da eleição ou ainda esse ano”, pontuou.

Arcoverde comentou ainda a defesa feita pelo governador Rafael Fonteles (PT), que chegou a sugerir novamente a indicação de Jorge Messias. Para o parlamentar, a medida não seria oportuna neste momento.

“A minha opinião é que o Rafael parece que é amigo do Messias. Então, se é amigo, devia evitar mais um vexame dele no Senado. Não fazer uma proposta dessa. Até o próprio Messias sabe que não tem clima para ser reindicado este ano para o Senado”, relatou.

Por outro lado, o deputado avaliou que a rejeição no Senado não deve ter impacto direto no cenário eleitoral nacional. Na análise dele, o episódio reflete, sobretudo, a dinâmica política entre Executivo e Legislativo nos últimos anos.

“Acho que o processo eleitoral está bem definido. Nós temos um forte candidato do centro e da direita, que é o Flávio, nós temos outro forte candidato, que é o Zema, e tem o Lula que está dissolvendo, sem apresentar nada novo, sem apresentar o que prometeu durante a campanha”, finalizou.

Fonte: O Dia

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