O delegado Eduardo Aquino, da 3ª Delegacia Seccional de Teresina, informou nesta quarta-feira (15) que pediu à Justiça o teste de incidente de insanidade mental do adolescente de 16 anos apreendido suspeito de planejar um atentado em uma escola pública de Teresina.
O adolescente foi apreendido após a Polícia Civil descobrir que ele planejava realizar um atentado em uma escola no bairro Santa Maria da Codipi, zona Norte de Teresina. O que chama atenção é que o estudante foi apreendido por duas vezes pelo mesmo crime. Na investigação, o delegado Eduardo Aquino encontrou provas robustas de que o adolescente tinha como inspiração criminosos que praticaram massacres com repercussão mundial.
O delegado disse que solicitou ao juiz da Infância e Juventude a perícia para saber se o garoto tem condições de convívio social.
“Na extração do celular dele havia a intenção de praticar o ato. Perguntado se ele planejava o ato, ele disse ‘sim, eu iria fazer’. Pedi que seja aberto um incidente de insanidade para a juíza da Vara da Infância e da Juventude para uma avaliação técnica sobre as faculdades mentais do adolescente para que ele possa receber a medida socioeducativa adequada. Ele não pode ir para um estabelecimento comum e ficar lá com outros menores. A gente precisa, primeiramente, entender sobre a saúde mental do adolescente”, disse o delegado.
Foto: Divulgação/PC

Quando esteve em acompanhamento no Caps Infantojuvenil, o relatório mostra que o adolescente voltou a verbalizar a intenção de praticar o massacre na escola.
A motivação para o crime, segundo o relato do garoto ao delegado, é que ele estava sofrendo bullying na escola.
O delegado ressaltou que há provas contundentes contra o adolescente e, por isso, solicitou sua apreensão e que ele seja acompanhado por uma equipe multidisciplinar.
Segundo o delegado, os pais têm dificuldade de entender a gravidade dos fatos.
“São pessoas que acham que crime é matar, roubar, e que jamais acreditam que o filho terá coragem de praticar um crime tão horrendo como uma chacina”, disse o delegado.
O delegado disse que teve que pedir avaliação psicológica após avaliação no Caps e comportamento do adolescente durante os depoimentos.
”Verificamos durante o período da investigação, antes dele ser apreendido, um acompanhamento pelo CAPS e lá, o psiquiatra colocou algumas informações sobre a questão da saúde mental dele. Não somos profissionais da área, então, diante desse laudo que foi dado por um psiquiatra estamos fazendo o pedido de incidente de insanidade para que um corpo técnico, uma equipe multidisciplinar possa avaliar essa situação”, disse Eduardo Aquino.
Estudante integrava fórum de massacres
Durante a investigação, o delegado coletou provas que mostram que o adolescente pesquisou na internet modelo de armas e chegou a integrar fórum de massacres a escolas. No celular do investigado, foram encontradas imagens em que o adolescente aparece debochando das vítimas mortas, numa frieza mórbida que impressiona.
De acordo com a investigação, ele fez montagem de vídeo em referência ao homicídio ocorrido na Escola Estadual Thomázia Montoro, em 2023, na cidade de São Paulo. Quatro professores e um aluno foram esfaqueados no ataque. Ele também faz menção aos massacres nas escolas Robb Elementary, no Texas, EUA e em Suzano, em São Paulo. Em outro vídeo montagem, ele faz referência ao massacre cometido por Kosta Kecmanovic, em 2023, na cidade de Belgrado, na Sérvia.
O adolescente é investigado pela prática de atos infracionais análogos aos crimes de ameaça, apologia e incitação ao crime, além de porte de arma branca e falso alarme.

