23 de junho de 2026
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ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro é alvo de investigação da Polícia Civil

PCSP/Divulgação

A organização não governamental (ONG) de propriedade de Karina Ferreira da Gama, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), foi alvo nesta segunda-feira (1°) da Operação Wi-Fi Livre, da Polícia Civil de São Paulo. Foram investigadas irregularidades em contratos firmados entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG.

O Instituto Conhecer Brasil é suspeito de fraude para a instalação de uma rede de wi-fi gratuita em comunidades da cidade. O valor do contrato é de R$ 108 milhões. Há suspeitas na contratação e na execução dos serviços.

De acordo com a investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, a organização teria de instalar 5 mil pontos públicos de acesso ao wi-fi nas periferias da capital paulista no prazo de 12 meses. Segundo o dois órgão, foram instalados até agora cerca de 3.200 pontos.

Para justificar as despesas do contrato, a ONG teria apresentado à prefeitura pelo menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares.

“Verificou-se, ainda, no conteúdo das informações, a notícia de que durante o período eleitoral de 2024, a instalação dos pontos foi consideravelmente antecipada por interferência política direta, alcançando 1.605 pontos ativos de outubro de 2024”, destaca o inquérito. “No entanto, após o encerramento do certame eleitoral, o ritmo de instalações desacelerou bruscamente, atingindo apenas 3.200 pontos em junho de 2025. Os 1.800 pontos restantes nunca foram instalados”, acrescentou.

O delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, responsável pelo caso, destacou que entre as irregularidades investigadas estão a contratação utilizando “critérios genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações”. Além disso, ele destacou ainda a disparidade de custo nos serviços prestados. Segundo ele, enquanto a empresa pública municipal Prodam cobrava do município R$ 230 para implantação de cada ponto de internet e R$ 306 para sua manutenção mensal, o contrato firmado com o ICB estabeleceu o valor de R$ 1.800 por ponto.

O instituto de Karina é o principal alvo da operação, mas também são cumpridas diligências em outras empresas que teriam sido subcontratadas. A polícia fez ainda buscas na Secretaria Municipal para obter os contratos, as prestações de contas e os documentos relacionados ao termo de colaboração.

Foram cumpridos nesta manhã oito mandados de busca e apreensão para recolher documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais.

A prefeitura de São Paulo divulgou nota em que “repudia veementemente ilações de desvio de recursos públicos. O contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”.

Com supervisão de Nathalia Amaral / O Dia

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