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12 de junho de 2024
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Nas asas da poesia, Hipólito Moura comparte sua lírica

Cantado sua melhor performance: foto arquivos do Festival Picos

O menino de Ambrósio, filho do senhor Elísio, quando improvisava seus instrumentos de lata, e cantava debaixo das árvores, não imaginava a proporção que isso tomaria e a que distancia iria chegar. Em seu pensamento de criança pré-adolescente a única presunção que tinha era de cantar para os amigos e familiares da região. Talvez quando foi surpreendido pelos seus ídolos, Zé Silva e Barrazul, e colocado ao lado dos mesmos para improvisar uns versos, ele pensou que tinha atingido o seu ápice, pois não era fácil chegar próximo destes cantadores. Entretanto a grandeza do seu talento ultrapassaria os limites do sonho de garoto.

Quando Enevaldo Hipólito começou a cantar batendo nas latas com cordas de linha de pescar, tinha como plateia, as árvores, os passarinhos e seus irmãos. Os pássaros embevecidos com seu canto, lhe presentearam asas. Parte dessa plateia absorvia a essência de sua poesia, em silêncio, para devolver em dobro em inspiração,  mas a outra parte não consegue se conter, alardeou que havia um aprendiz de trovador no quintal da casa de seu Elísio. O patriarca que tinha como uma das maiores paixões, o repente e a cantoria, logo investiu nesta promessa artística. E o primeiro investimento não podia ser diferente, um pequeno violão para o trovador melhor desenvolver seu talento.

IV Festival de repentista com Graça Moura. foto: Arquivos Graça Moura
IV Festival de repentista com Graça Moura. foto: Arquivos Graça Moura

A partir daí não se pode conter mais a cachoeira de poesia que saltava de dentro do coração poeta e, percebendo toda essa grandeza, o maior ídolo do jovem, Barrazul o levou para junto com ele se apresentar na Rádio Difusora de Picos.

Depois de algum tempo o destino o colocou diante de outro poeta promissor, Vitorino Bezerra e os dois foram trabalhar em Padre Marcos na rádio da cidade. Lá formou família, cresceu em todos os sentidos, principalmente o lado artístico e, consequentemente, necessitou de mais espaço. O Piauí estava pequeno para comportar o talento do garoto de Ambrósio, e chegou o momento de usar aquele presente recebido dos passarinhos, assim ele voou para a terra dos repentistas, o Pernambuco.

Hipólito Moura Foto: Maria Nilza
Hipólito Moura Foto: Maria Nilza

O jovem Enevaldo agora seria reconhecido como repentista e entraria para cânone do Repente Nordestino, porém com um novo nome, mais pomposo, mais forte, que representaria melhor a sua força poética: Hipólito Moura.

Fragmentos de poemas de Hipólito Moura

Amor:

 “É capaz de arrancar a dor

do peito de quem padece

quando está nascendo é ínfimo

se for bem cuidado cresce

basta o coração dar ordem

o corpo todo obedece”

Pai:

“Pai procura ensinar

e como amigo se coloca

quer ver o filho distante

de vício briga e fofoca

ruim é dar carinho

e ter ingratidão em troca”

filho:

“Ao crescer não esqueça os afazeres

um adulto de bem logo se torne

não aceite suborno e nem suborne

seja bom cumpridor de seus deveres

de um encontro amoroso entre dois seres

você veio para ser meu sucessor

tão sublime e tão puro quanto a flor

que pureza maior não pode haver

pequenino pedaço do meu ser

Deus te guie nas estradas do amor”

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