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4 de junho de 2026
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Livro homenageia Niéde Guidon e revela legado arqueológico da Serra da Capivara

Um livro que reúne mais de três décadas de documentação fotográfica da Serra da Capivara e presta uma homenagem direta à arqueóloga Niède Guidon será lançado em março de 2026, no Rio de Janeiro. A obra, assinada pelo renomado fotógrafo André Pessoa, será apresentada durante a Semana de Homenagens à Niède Guidon, entre os dias 8 e 12 de março, no Museu do Amanhã, com apoio da Academia Brasileira de Ciências e da Livraria da Travessa.

Intitulado “Serra da Capivara, as descobertas e o legado de Niède Guidon”, o livro chega ao público poucos meses após a morte da pesquisadora, que aconteceu em junho de 2025. Pensado inicialmente para ser lançado ainda em vida, o projeto acabou assumindo um caráter de tributo à cientista que dedicou mais de cinco décadas ao estudo da ocupação humana nas Américas e à preservação do patrimônio arqueológico do Sul do Piauí.

André Pessoa, pernambucano natural do Recife, vive no Piauí desde 1993, quando chegou a São Raimundo Nonato, Sul do estado, e iniciou sua colaboração com Niède Guidon e a Fundação Museu do Homem Americano. Desde então, passou a documentar de forma contínua o trabalho científico desenvolvido na região, incluindo pinturas rupestres, sítios arqueológicos, fauna, flora e o cotidiano das equipes de pesquisa brasileiras e estrangeiras que passaram pela Serra da Capivara. Este marca o quinto livro escrito por Pessoa sobre o estado piauiense.

Ao longo de três décadas, o fotógrafo teve acesso a áreas restritas, laboratórios, museus e acervos formados por Niède Guidon desde a década de 1970. “O livro é uma espécie de coletânea dos 32 anos que eu estou aqui no Piauí, principalmente documentando o trabalho da pesquisadora Niède Guidon e sua equipe. São 32 anos de registros ininterruptos da natureza do Piauí”, diz André.

Livro homenageia Niède Guidon e revela legado arqueológico da Serra da Capivara - (Reprodução/André Pessoa)Reprodução/André Pessoa

Livro homenageia Niède Guidon e revela legado arqueológico da Serra da Capivara

Esse material, reunido agora em livro, busca apresentar ao público a dimensão científica, cultural e ambiental da chamada Área Arqueológica de São Raimundo Nonato, que ultrapassa os limites do Parque Nacional Serra da Capivara e abrange uma extensa região do semiárido piauiense.

“(Vou) publicar isso para que as novas gerações, o próprio piauiense, entenda a riqueza que está no Piauí. Eu conheço mais de 30 países no mundo e, em todo lugar que eu chego, quando falo da Serra da Capivara, é uma referência científica. A região é considerada patrimônio cultural da humanidade. Muitas pessoas não percebem isso. O Piauí é muito rico”, ressalta André Pessoa.

A publicação terá formato de livro de arte, com 168 páginas e cerca de 420 imagens em alta resolução. As fotografias incluem registros detalhados de pinturas antropomórficas e zoomórficas, grafismos rupestres, paisagens da Caatinga, além de imagens da fauna e da flora do bioma. São cerca de 50 fotografias de animais e outras 50 de plantas, compondo um panorama visual raro de um dos territórios mais preservados do país.

Além das imagens, o livro reúne textos de cerca de 20 colaboradores do Brasil e do exterior, entre arqueólogos, cientistas e jornalistas que acompanharam ou dialogaram com o trabalho de Niède Guidon ao longo das décadas. Há contribuições em inglês, francês, espanhol e italiano, todas traduzidas para o português. Entre os autores estão pesquisadores de referência internacional e jornalistas especializados em ciência e meio ambiente.

Livro homenageia Niède Guidon e revela legado arqueológico da Serra da Capivara - (Reprodução/André Pessoa)Reprodução/André Pessoa

Livro homenageia Niède Guidon e revela legado arqueológico da Serra da Capivara

Os capítulos abordam não apenas os sítios arqueológicos, mas também a cidade de São Raimundo Nonato, sua arquitetura, infraestrutura, museus e o potencial turístico da região. “(O Piauí) é um Estado que durante muito tempo, e ainda hoje, sofre com o subdesenvolvimento, com a pobreza do seu povo, com o subdesenvolvimento, mas que, de certa forma, preservou os seus ambientes naturais”, analisa o fotógrafo.

Um dos destaques da obra é o Museu da Natureza, considerado uma das principais conquistas do legado de Niède Guidon, com padrão museológico reconhecido nacionalmente. O livro também dedica um espaço ao aeroporto local, visto como um eixo estratégico para o desenvolvimento regional.

Outro eixo central da obra é a contextualização da Área Arqueológica de São Raimundo Nonato como um território amplo, que engloba dois parques nacionais, a Serra da Capivara e a Serra das Confusões, além de corredores ecológicos e reservas estaduais. Juntas, essas áreas preservam mais de um milhão de hectares de Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, associado a milhares de vestígios de ocupação humana ancestral.

O lançamento do livro integra a programação de homenagens a Niède Guidon no Museu do Amanhã, localizado no Rio de Janeiro (RJ), com palestras, exibição de filmes, reportagens e documentários sobre a trajetória da arqueóloga. As datas simbólicas reforçam o caráter da celebração, com atividades previstas para o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, e o aniversário de Niède Guidon, em 12 de março.

André Pessoa, fotógrafo - (Reprodução/Instagram)Reprodução/Instagram

André Pessoa, fotógrafo

Para André Pessoa, a obra é uma forma de devolver ao Piauí parte do que o estado lhe ofereceu ao longo de mais de três décadas. Mais do que um registro fotográfico, o livro se propõe a preservar a memória de um patrimônio reconhecido como cultural da humanidade e a apresentar às novas gerações a riqueza científica e natural existente no interior do Piauí.

Com supervisão de Ithyara Borges / O Dia

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