26 de junho de 2026
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É um indicador ruim, diz secretário ao anunciar plano para enfrentar feminicídio

Foto: Rebeca Lima/Cidadeverde.com

O secretário de Segurança Pública do Piauí, Antonio Luiz, anunciou a adoção de medidas integradas para o enfrentamento ao feminicídio no estado, a partir de um protocolo inspirado nas ações apresentadas durante o lançamento do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, realizado em Brasília. O gestor participou do ato no Palácio do Planalto e afirmou que as propostas discutidas no âmbito federal serão analisadas e adaptadas à realidade piauiense.

Segundo o secretário, o tema foi tratado como prioridade durante a agenda institucional e já mobilizou reuniões internas com as forças de segurança do estado. Ele informou que o objetivo é revisar programas existentes, aprimorar fluxos de atendimento e garantir resposta imediata às denúncias de violência contra a mulher.

“É um problema que existe no Brasil e no mundo, no Piauí ainda é um indicador ruim para nós, por isso estamos estudando com cuidado todos os projetos desenhados para combater o feminicídio, analisando cada ação para entender melhor o problema e fazer um refinamento do que já existe”, afirmou o secretário.

Antonio Luiz destacou que houve redução nos registros de mortes por violência contra a mulher, mas reforçou que o enfrentamento deve considerar também os casos de agressão que não resultam em óbito. Entre os pontos em análise estão programas como o Emag, o Irmã das Mulheres e o BO Fácil, além da estrutura interna de resposta às denúncias feitas pelas próprias vítimas ou por terceiros.

“A ideia é entender se esses instrumentos estão facilitando a denúncia e se o nosso suporte interno consegue dar uma resposta imediata quando houver qualquer indício de violência contra a mulher, para que a gente consiga reduzir ainda mais esse indicador”, explicou o gestor.

Reunião com Ministro

Durante a agenda em Brasília, o secretário de Segurança do Piauí também participou de reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública e com o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas. De acordo com Antonio Luiz, o encontro marcou uma aproximação institucional e abriu diálogo sobre financiamento e apoio federal aos estados.

“Nós começamos fazendo essa primeira ligação do governo do Piauí com o ministro da Justiça e com o secretário nacional, foi uma conversa amistosa, em que pedimos apoio para viabilizar recursos, ajustes legislativos e mais investimentos em inteligência e equipamentos para reduzir os indicadores de criminalidade”, relatou.

O secretário acrescentou que a expectativa é pelo avanço da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e pela criação de linhas de financiamento voltadas ao setor, com impacto direto no fortalecimento das ações de prevenção e repressão à violência, incluindo os crimes contra mulheres no Piauí.

Dados 

O Piauí contabilizou 37 feminicídios em 2025, entre os meses de janeiro e o dia 16 de dezembro, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP). A maioria dos crimes foi registrada no interior do estado, que concentrou 29 casos, o equivalente a quase 80% do total.

De acordo com a SSP, Teresina aparece com nove ocorrências, liderando o ranking por município, seguida por Parnaíba, com seis feminicídios.

As estatísticas reforçam que a violência letal contra mulheres segue avançando fora da capital, onde o acesso à rede de proteção é mais limitado, apesar dos esforços das forças de segurança.

Dados da SSP apontam que a idade média das vítimas é de 36 anos, enquanto a idade média dos autores é de 38 anos. As informações desmontam a ideia de que o feminicídio atinge apenas mulheres mais velhas ou está restrito a relacionamentos longos.

Fonte: CidadeVerde

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