26.8 C
Jacobina do Piauí
22 de junho de 2024
Cidades em Foco
Baú

Da vez em que fui acusada de me plagiar

       Isto da internet, do acesso rápido às informações, às vezes nos coloca, como dizia minha mãe, “numa sinuca de bico” ( até hoje não entendo a metáfora). Nos anos anteriores, quando os estudantes  faziam seus trabalhos acadêmicos, havia uma grande dificuldade para o professor encontrar o “maldito” plágio. Salvo se, por des-fortuna,  o mestre conhecesse o caminho da fonte onde o discípulo bebeu.

      Entretanto, o século XXI deixou as coisas mais fáceis (?) o “amado mestre” ao se deparar com um texto mais racional – o rolo compressor da indústria cultural tem sepultado muitos cérebros – ele tem uma ferramenta à mão para comprovar se há ou não apropriação indébita (nome pomposo, parece dicionário de político). O tal de Google é o dedo duro mais eficiente que já pode existir.

       Sabe que esse negócio de dedo duro na escola é complicado, tem uns que, para fazer média com os professores se faz o olho mágico , e tudo que acontece, (recorrida ao dicionário de dona Isabel Sancha, minha mãe) “amarra na tanga” e vai contar ao professor. Mesmo que depois leve uns bons tapas dos colegas caguêtados. O Google não tem como bater, é o inimigo invisível, igual aquele que nos atormenta quando queremos fazer reclamação de algum serviço via fone.

       Mas, revenons à nos moutons,  vou justificar o título desta crônica. Certo ano, numa certa instituição de ensino superior, estava eu cursando uma certa disciplina “carmica” (aff! Só a quinta vez, pois fiz na primeira graduação, duas vezes na segunda graduação e reprovada por falta de tempo de ir à aula, e cursando pela terceira vez e paralelamente, mais uma vez, a tal da Metodologia Científica, na pós graduação). ficou confuso? Imagina eu!

     Pois fui obrigada a cursar, PELA QUINTA VEZ,  a disciplina de Metodologia Científica exercendo meus dons circenses. Estava matriculada em 07 disciplinas no turno matutino em horário fechado de 08:00 às 12:00. Uma disciplina por dia. Ops, não há aulas no domingo, então tenho que usar também meus dons de onipresença. Assistir 15 minutos em uma sala, mais quinze na outra e ir revezando.

     Espere que chegarei agorinha na acusação de plágio. O professor nos pediu uma resenha critica de um filme ( ótimo ) valendo uma das notas obrigatórias. O aviso veio com quase dois meses de antecedência e eu, para não acumular trabalho em vista da correria, decidi adiantar. Na verdade isso foi uma raridade, o de  adiantar trabalho. Fiz minha resenha com muito carinho, dedicação e esmero. Enviei com um mês de antecedência.  E esperei, esperei e esperei a nota.

     O professor só foi corrigir junto com as demais, na data marcada. E quando veio a minha nota, ai madre! Uma decepção. Mandei um pedido de esclarecimento daquela nota tão desaforada. Depois de tomar um bom chá de corredor, recebi um recado mais desaforado ainda. O meu texto era PLÁGIO.  Como assim, produção?  Será que a musa, aquela devassa, andou visitando outra amante na mesma nuit de mai  e cochichou ao pé do ouvido da outra as mesma palavras românticas que a mim?

       Mais um pedido de revisão no protocolo. Resultado, na empolgação do filho concebido, naquela ardente noite de maio, com O MUSO, eu decidi mostra-lo ao mundo e publiquei na internet. O “caguêta” do Google, fuxicou para o professor que leu na internet um texto “cagado e cuspido” ao meu (mais uma releitura de minha mãe). Só que o dedo duro se esqueceu de dizer o nome da mãe do dito cujo. Daí, fui quase condenada por plagiar a mim mesma. Ainda bem que continuo sendo a cricri que quer saber tudo nos mínimos detalhes.

 

Firmado e por mim datado para ser devidamente reconhecido.

 

Picos, 22, de julho de 2015

Maria Nilza

Notícias relacionadas

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Se você está de acordo, continue navegando, aqui você está seguro, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais