A tradicional fogueira de São João simboliza o anúncio do nascimento de João Batista, primo de Jesus Cristo e um dos principais santos da igreja católica. Nas festas juninas, acender a fogueira no dia 24 de junho une laços de afeto com um “batismo” no fogo, onde pessoas sem parentesco e sem o intermédio de um padre se tornam padrinhos e afilhados.
Conforme a tradição, algumas pessoas acendem a fogueira de São João na noite do dia 23, mas em outros lugares a celebração é feita no dia 24, dia oficial do santo.
A manicure Ausirene Ferreira ganhou alguns “afilhados de fogueira” ao longo dos anos. Ela destacou que a tradição trouxe o carinho dos filhos dos amigos, que ela ganhou sendo “madrinha”.
“É uma tradição séria, não é qualquer pessoa que você escolhe para ser madrinha ou afilhada, tem que se comprometer. Tenho alguns afilhados, filhos de amigos ou vizinhos do interior do Piauí e da capital também. Geralmente, esses afilhados não são parentes de sangue, mas se tornam da família após pular a fogueira de São João”, explicou.
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Alyssa, Maria Vitória e Ausirene Ferreira, em festa junina na capital do Piauí — Foto: Arquivo Pessoal
A universitária Maria Vitória Venção é afilhada de fogueira da Ausirene há 10 anos, elas são vizinhas. Neste sábado (24), Maria Vitória vai ganhar sua primeira afilhada de fogueira, a neta de sua madrinha, a pequena Alyssa Mikaelle, de 8 anos.
“Fico muito feliz de ela ter me escolhido pra ser madrinha dela. Me emociona muito. Lembro de quando pedi pra Ausirene ser minha madrinha, e como ela foi fundamental pra minha vida. Espero ser tão boa pra Alyssa quanto a minha madrinha é para mim”, contou.
Segundo Maria Vitória, Alyssa a convidou porque gosta muito da amizade e cuidado dela, por isso pediu à sua mãe para que ela participasse ainda mais da sua vida, de alguma forma. A jovem contou que a tradição une há várias gerações as duas famílias.
“A mãe da Alyssa, a Débora, é madrinha de fogueira do irmão da Maria Vitória”, contou.
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A universitária Maria Vitória com sua futura afilhada de fogueira, Alyssa, em Teresina, Piauí — Foto: Arquivo pessoal
A tradição
Apenas pular a fogueira, tradicionalmente, não torna alguém padrinho ou afilhado. Segundo os devotos, uma oração é dita para que os santos confirmem a união. Cada verso da oração é dito pelo padrinho/madrinha e repetida pelo afilhado.
O processo de pular a fogueira acontece de duas formas: com a fogueira acesa pega-se um pedaço de madeira que está sendo queimada, coloca ele no chão e a dupla une as mãos direitas por cima da brasa e ditam a oração.
A segunda forma desse ritual pode ser feito com as cinzas da fogueira ou suas chamas bem baixas, quando não há risco para, literalmente, pular a fogueira, e ditar a oração ao mesmo tempo.
Confira a oração:
– São João disse.
E o afilhado responde:
– São João disse.
Na sequência fala novamente o padrinho:
– São Pedro confirmou.
E o afilhado repete a mesma frase:
– São Pedro confirmou.
Então o padrinho dizia:
– Pra você ser meu afilhado.
Nessa hora o afilhado respondia invertendo o sujeito da frase:
– Pra você ser meu padrinho.
E o padrinho concluía atribuindo a bênção daquele batizado ao santo ou a Jesus Cristo;
– Que São João/Cristo mandou.
Fonte: G1-PI

