A Prefeitura de Picos colocou em circulação, na manhã desta terça-feira (9), uma frota emergencial de ônibus para garantir a continuidade do transporte coletivo na cidade. A medida foi adotada após a paralisação completa do serviço, agravada pela apreensão de dois veículos da empresa KB Transportes pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na quinta-feira (3), durante operação na BR-316.
Segundo o procurador-geral do município, Expedito Neiva, a ação se trata de uma intervenção prevista em contrato, e não da ruptura definitiva com a empresa.

“Dado o caráter essencial do serviço e a ausência de solução por parte da empresa, a Prefeitura de Picos decidiu intervir temporariamente na prestação do transporte público. Esses ônibus estão sendo disponibilizados de forma emergencial e temporária para atender à população”, explicou.
O procurador também informou que os veículos emergenciais não foram adquiridos, mas viabilizados por outros mecanismos legais. A proposta da gestão é manter as mesmas rotas já utilizadas pela população e, futuramente, avaliar ajustes no sistema.

“Esses veículos passaram por reforma, estão em boas condições e devem garantir um serviço digno à população, como é compromisso da gestão do prefeito Pablo Santos”, completou.
A intervenção ocorre após a Prefeitura ter notificado extrajudicialmente a empresa KB Transportes na última sexta-feira (28), concedendo um prazo de 48 horas para a normalização do serviço, o que não foi cumprido.
Problemas anteriores e fala do prefeito Pablo Santos
Na noite de quinta-feira (3), estudantes relataram um princípio de incêndio em um dos ônibus da empresa. Além disso, o serviço já vinha sendo alvo de críticas há anos, especialmente por universitários que dependem do transporte para se deslocarem até a UESPI e a Faculdade R. Sá.
Durante a sessão solene da Assembleia Legislativa do Piauí (ALEPI) em comemoração aos 190 anos da instituição, realizada na última sexta-feira (04), em Picos, o prefeito Pablo Santos falou publicamente sobre a crise no transporte coletivo. Ele afirmou que está estudando a possibilidade de romper o contrato com a empresa e criar um sistema municipal de transporte.

“O povo de Picos não pode pagar por um serviço que não está sendo prestado com a qualidade devida. Nós estamos acionando o jurídico para avaliar uma ruptura contratual e, quem sabe, implantar um modelo em que o transporte seja operado pela própria Prefeitura. O que a gente quer é um transporte digno, com seis ou sete ônibus circulando pela cidade”, disse o prefeito.
Ele ainda criticou a empresa KB Transportes por não investir na frota e afirmou que, embora haja alegações de descumprimento da contrapartida financeira pela gestão anterior, a empresa não pode justificar a precarização do serviço.
“Quem está sofrendo com isso é o povo, e o prefeito vai agir rapidamente para resolver o problema”, garantiu.



