25.6 C
Jacobina do Piauí
4 de junho de 2026
Cidades em Foco
GeralNordeste em FocoPiauí

Até 90% dos feminicídios no Piauí ocorrem no 1º ano da separação, diz delegada

Foto: Ilustrativa/internet

A delegada e diretora de Avaliação de Risco da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), Eugênia Villa, destacou a relação direta entre o período pós-término de um relacionamento e a ocorrência de feminicídios. Segundo ela, a maioria dos casos acontece no primeiro ano após a separação.

“Entre 88 até 90% dos feminicídios ocorreram no primeiro ano após o fim de um relacionamento e isso é muito expressivo. A separação de um relacionamento é realmente um fator que pode vir a acelerar o feminicídio”, ressaltou.

Eugênia reforçou que as medidas protetivas de urgência têm papel fundamental na prevenção. “As medidas protetivas de urgência elas evitam, sim, o feminicídio. Essas mulheres estão morrendo, na rubrica do feminicídio, a maior parte, 88% aqui no Piauí, porque não registraram nenhum BO e isso quer dizer que não entrou na nossa conta de proteção. Então 12% morreu. Agora eu afirmo que as mulheres que nos procuram e que têm medida protetiva no Piauí estão sim se salvando”, afirmou.

Ela também citou uma pesquisa realizada pelo Banco Mundial, em parceria com universidades do Canadá e do Brasil, que analisou a presença de delegacias especializadas.

“O Banco Mundial realizou uma pesquisa com a universidade do Canadá e também uma universidade brasileira e constataram que reduz [o crime] de 12 a 15% a presença de uma delegacia da mulher, mas não na mesma proporção em relação às mulheres negras e isso tem várias possibilidades. Primeiro porque uma mulher negra pode ter mais dificuldade de chegar até uma delegacia, um atendimento especializado, o nível de instrução, a renda familiar. Mas não é só a presença da delegacia da mulher, temos que avaliar que tem a rede inteira que protege essa mulher, então precisamos avaliar mais esse estudo”, destacou.

Para a delegada, é necessário compreender os fatores que dificultam o acesso das mulheres, especialmente as negras, aos serviços de proteção.

“O Piauí é pioneiro em muitos protocolos, agora o que nós precisamos entender é porque mulheres não nos procuram, o que que nós temos que as mulheres não estão nos procurando, é porque somos delegadas não negras? É porque o tratamento dispensado pela polícia, aos seus agressores, homens negros, elas não confiam na polícia? Nós temos que fazer inúmeras perguntas e eu falo isso com base em pesquisas que demonstram o racismo institucional. Então são muitas questões que precisam ser respondidas porque uma mulher negra ela tem que ter representatividade e tudo isso tem que ser diagnosticado”, concluiu.

Fonte: Cidadeverde.com

Notícias relacionadas

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Se você está de acordo, continue navegando, aqui você está seguro, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais