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8 de junho de 2026
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Depoimentos de babá e de ex-enteada contribuíram para condenação de Jairinho

Foto: Reprodução

Os depoimentos da babá de Henry Borel e da filha de uma ex-namorada de Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, foram decisivos para a condenação do ex-vereador pela morte do menino de 4 anos no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, de acordo com informações do Fantástico.

“Ele ficava me afundando até eu encostar no chão. E aí me soltava. Eu respirava, e ele me afogava de novo com o pé dele, me empurrando. Até o chão, várias vezes”, disse a jovem.

filha de uma ex-namorada de Jairinho afirmou ter sofrido agressões quando tinha apenas 5 anos – hoje, ela tem 18. Durante o julgamento, a moça afirmou que o ex-vereador a levava para um motel e a afundava em uma piscina.

Natasha Machado, mãe da jovem, contou que só descobriu as agressões um ano após o fim do relacionamento com Jairinho. “A única coisa que eu podia fazer era procurar o pai do menino e dizer para ele não desistir”, afirmou.

No julgamento que começou em 25 de maio de 2026 e terminou na madrugada de 4 de junho, os jurados condenaram o ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, por homicídio doloso qualificado e tortura praticados contra seu enteado, Henry Borel, criança de quatro anos de idade.

Jairinho foi condenado às penas de 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado em Bangu.

A defesa de Jairinho anunciou que entrará com recurso pela anulação do julgamento por entender que os jurados não levaram em conta as provas a favor dele apresentadas nos autos.

Quanto à mãe da vítima, Monique Medeiros da Costa e Silva, os jurados desclassificaram a imputação de homicídio doloso qualificado praticado por omissão, reconhecendo a ocorrência de homicídio culposo por omissão. Ela foi condenada por tortura por omissão e beneficiada com o perdão judicial em relação ao delito culposo.

Henry Borel morreu no dia 8 de março de 2021, quando tinha 4 anos. Laudos indicaram hemorragia interna e laceração do fígado provocadas por ação contundente.

Babá contou agressão à mãe de Henry

A babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, relatou três ocasiões de tortura contra Henry. Ela respondia por falso testemunho, mas voltou atrás em suas versões e foi fundamental para a condenação.

No primeiro deles, ocorrido em 2 de fevereiro de 2021, Thayná enviou mensagens ao namorado dizendo que Jairinho havia se trancado no quarto com o menino. No segundo, de 12 de fevereiro de 2021, imagens mostraram Henry saindo do quarto mancando após ficar sozinho com o padrasto. Jairinho e Monique só foram condenados por esse segundo episódio.

Os réus foram absolvidos de uma terceira acusação por falta de registros que confirmassem que Monique havia sido avisada pela babá.

O engenheiro Leniel Borel, pai do menino Henry Borel, disse que o perdão a Monique representa a “terceira morte de Henry”, acrescentando que o precedente poderia levar outras mães a permitir que seus filhos fossem mortos. Leniel prometeu entrar com recursos, através de seus advogados, para anular o julgamento.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) protocolou na Justiça um recurso pedindo a anulação do julgamento.

O promotor considera que houve uma irregularidade na votação provocada por uma pergunta feita aos jurados: se a omissão de Monique – ou seja, sua inércia diante das agressões sofridas por Henry – teria sido dolosa em relação ao homicídio. Ele defende a tese de que o júri votou favoravelmente ao entendimento de que a omissão se referia ao homicídio doloso, o que mudaria o resultado do julgamento.

Por Estadão Conteúdo

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