O trader Francisco das Chagas, conhecido como Chico do Pagode, passou por audiência de custódia e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça. A decisão confirmou a legalidade da prisão. A informação foi confirmada pelo delegado Luciano Alcântara, responsável pelas investigações, nesta quinta-feira (23).
Segundo o delegado, até o momento, cerca de 110 pessoas foram ouvidas durante as oitivas. Mais de 300 vítimas já foram identificadas pela Polícia Civil. O esquema teria movimentado mais de R$ 600 milhões no Piauí e no Maranhão.
Em interrogatório, Francisco afirmou que todo o dinheiro investido pelos clientes da empresa Xtreme foi perdido em operações na Bolsa de Valores e que não há expectativa de ressarcimento às vítimas. Ele também declarou que parte dos recursos foi utilizada para pagar parcelas de cartões de crédito de investidores. De acordo com o delegado Luciano Alcântara, a versão apresentada pelo investigado é compatível com o que foi encontrado durante o bloqueio das contas da empresa e do próprio trader, onde restavam apenas valores insignificantes.
A Polícia Civil afirma que a investigação confirmou que parte dos investidores recebeu rendimentos mensais, mas não recuperou o valor total aplicado. Já aqueles que ingressaram no esquema nos últimos meses não receberam qualquer retorno financeiro, situação que, segundo o delegado, caracteriza a pirâmide financeira.
Durante o depoimento, Francisco também relatou que deixou o Piauí em maio de 2025 para tentar captar recursos em São Paulo e quitar as dívidas da empresa. Como não conseguiu novos investimentos, seguiu para Ciudad del Este, no Paraguai, onde permaneceu até se apresentar à polícia. No país vizinho, ele afirmou que trabalhou como trader utilizando recursos próprios para se manter.
A Polícia Civil informou que o rastreamento do dinheiro movimentado pelo grupo continua. A investigação busca identificar o destino dos mais de R$ 600 milhões movimentados pela Xtreme e confrontar a versão apresentada pelo investigado com o fluxo financeiro apurado pelos investigadores.
Fonte: CidadeVerde

