29.2 C
Jacobina do Piauí
15 de julho de 2026
Cidades em Foco
EconomiaGeralInternacionalNordeste em Foco

Sob ameaça de tarifa dos EUA, produtores de mel do Piauí discutem futuro do setor

Foto - Divulgação / CCOM

Em meio às novas rodadas de tarifas propostas pelos Estados Unidos ao Brasil, que têm afetado diretamente os produtores de mel do Piauí, empresários e agricultores familiares do setor vão se reunir na próxima sexta-feira (17), em São Raimundo Nonato, para discutir o futuro da produção no estado. Os EUA são o principal parceiro comercial da cadeia produtiva do mel piauiense.

O Piauí é o segundo maior produtor nacional, com 8,6 mil toneladas e valor de produção superior a R$ 100 milhões. O estado também lidera as exportações brasileiras do produto: em 2025, embarcou cerca de 9 mil toneladas para mercados como Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão, movimentando aproximadamente R$ 120 milhões, de acordo com a Secretaria de Agricultura Familiar (SAF). A atividade sustenta cerca de 12 mil famílias piauienses.

Em 1º de junho deste ano, o presidente dos Estados Unidos propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma série de investigações que incluíram até o Pix, apontado como uma ferramenta financeira prejudicial aos interesses americanos. No dia seguinte, chegou a anunciar taxas adicionais de 12,5% sobre produtos do Brasil. Os Estados Unidos compram 83% de todo o mel exportado pelos produtores brasileiros e quase a totalidade do que é produzido no Piauí.

Uma audiência pública reuniu empresários brasileiros em 6 de julho, em Washington, para defender o produto nacional junto às autoridades americanas. No Piauí, a discussão ganha capítulo próprio durante o Conexão Mel do Sertão 2026, evento que reúne apicultores, cooperativas e representantes do poder público para debater os rumos da apicultura, do cooperativismo e da agricultura familiar no Território Serra da Capivara.

Atualmente, São Raimundo Nonato é o quarto maior município produtor de mel do Brasil, com 922,4 toneladas colhidas em 2024, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE. A programação do evento inclui a apresentação do plano de negócios da Cooperativa Mel do Sertão, pelo presidente da entidade, Henrique Neri Júnior, e pelo consultor Fábio Santiago, além de palestras com gestores públicos, como a secretária de Agricultura Familiar, Rejane Tavares, e parlamentares.

O encontro também vai tratar de uma lei sancionada recentemente que regulamenta a criação de abelhas nativas sem ferrão no Piauí, atividade conhecida como meliponicultura. A proposta, de autoria do deputado Francisco Limma (PT), é vista pelo setor como um avanço para a produção de mel no estado.

A norma dispensa de licenciamento ambiental os criadores com até 50 colmeias, permite a comercialização legal de mel, própolis, pólen e cera dessas espécies e cria a Autorização de Uso e Manejo de Fauna (AMF), emitida pela SAF com validade de três anos e renovação simplificada. Meliponicultores que já atuam no estado terão três anos para se regularizar.

Na prática, a nova legislação tira da informalidade uma atividade tradicional do semiárido, exercida majoritariamente por pequenos produtores que criam abelhas nativas, como a jandaíra e a tiúba, até então sem amparo legal para comercializar seus produtos. Enquanto a nova regra abre caminho para a formalização do setor, o cenário externo segue incerto, o desfecho das negociações tarifárias com os Estados Unidos deve pesar diretamente sobre a renda de milhares de famílias que vivem da apicultura no Piauí.

Fonte: O Dia

Notícias relacionadas

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Se você está de acordo, continue navegando, aqui você está seguro, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais