O prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, afirmou nesta terça-feira (14) que recebeu com tristeza as denúncias apuradas pela Operação Gabinete de Ouro, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí, que investiga desvio de recursos públicos, propina e rachadinhas na gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa. A operação bloqueou bens e valores que somam mais de R$ 75 milhões e prendeu quatro ex-assessores diretos do ex-gestor.
Ao ser questionado sobre os desdobramentos do caso, Sílvio Mendes fez um desabafo ao lembrar o compromisso que deve nortear quem assume a administração pública. “Fico com muita tristeza. Do coração, eu fico assim, sem entender como é que a pessoa se oferece para fazer gestão pública. E gestão pública tem que ser entendida assim: você tem dinheiro limitado, tem uma série de obrigações em todas as áreas e a cidade te confiou um mandato para cuidar dela”, declarou o prefeito.
Sílvio Mendes reforçou que o uso indevido de recursos públicos compromete áreas essenciais e prejudica a população. “Na educação, na saúde, se você tirar dinheiro público, que já não é suficiente, imagina desviando. Eu espero que os culpados sejam punidos, que não sejam soltos. Se for comprovado realmente a culpa, por favor, puna, devolvendo principalmente o que pertença a todos”, disse.
O prefeito também comparou a atual gestão com a anterior, destacando que a limpeza urbana, um dos maiores contratos da Prefeitura, hoje é realizada com menor custo e mais eficiência.
“Nós estamos recolhendo muito mais lixo do que antes, gastando menos. Em vez de uma empresa, temos seis. Em vez de uma Teresina, são três. A explicação é simples: reorganização e transparência para baixar o custo e garantir uma cidade limpa”, completou.
A fala de Sílvio Mendes ocorreu durante o lançamento da nova fase do Programa Lixo Zero, da ETURB, e repercutiu em meio ao silêncio de vereadores ligados à antiga gestão, que evitaram comentar o caso durante sessão da Câmara Municipal.
A Operação Gabinete de Ouro cumpriu mandados de prisão e busca em Teresina e Timon. Entre os alvos está a ex-chefe de gabinete e sobrinha do ex-prefeito, Suelen Pessoa. Segundo o Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR), as investigações começaram há cerca de um ano, a partir de denúncia anônima com dossiê que detalhava o funcionamento do suposto esquema.
Conforme a delegada Amanda Bezerra, os materiais apreendidos — como celulares, notebooks, dinheiro e documentos — reforçam a ligação dos investigados com o núcleo da organização criminosa. As investigações continuam e devem revelar novos nomes ligados ao esquema
Fonte: CidadeVerde

