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20 de abril de 2024
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Piauiense Keylla Urtiga é referência em pesquisa com transplante de órgãos

Foto: Assis Fernandes/ODIA

Ao longo dos anos, as mulheres enfrentaram – e ainda enfrentam – desafios na sociedade pelo simples fato de serem mulheres. A desigualdade de gênero é percebida no mercado de trabalho, na academia, na política, entre outros. Porém, observa-se que nas últimas décadas essa realidade tem mudado, e que as mulheres já ocupam funções antes, predominantemente, exercidas por homens.

Mulheres se destacam por ocuparem cargos de liderança e chefia, por estarem à frente de grandes projetos na área da Saúde e Tecnologia, por serem pioneiras na criação de leis voltadas para as mulheres e para a sociedade, além de atuarem diretamente na proteção e combate à violência contra mulheres.

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é, sim, uma data para comemorar as conquistas e o destaque que muitas mulheres têm nas mais diversas áreas de atuação, sendo exemplo e inspiração para as novas gerações e referência na história pelo trabalho que desenvolveram no Piauí.

Conta exatas

A Ciência da Computação faz parte das ciências exatas que estuda os dispositivos, as tecnologias, as metodologias e lógica computacionais, trazendo informatização e automatização para esses processos. Uma área, ainda, majoritariamente, masculina. Somente no curso de Ciência da Computação, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), dos quase 450 alunos ativos, apenas 10% são estudantes do sexo feminino. Isso significa que, a cada 10 alunos, apenas 1 é mulher.

Seria essa uma área que não interessa ao sexo feminino ou a pouca quantidade de mulheres estaria relacionada à falta de incentivo que elas recebem? A professora Keylla Urtiga, coordenadora de Pesquisa e Inovação da UFPI e Phd em Biotecnologia, acredita que essa segunda hipótese seja a realidade atual. Cientista da computação, ela conta que desigualdade é histórica.

“Quando me formei, em um universo de 40 alunos, tínhamos 11 mulheres, isso na Graduação. Na Computação, há muitos temas ligados à programação e códigos, e muitas mulheres, às vezes, não se identificam. Como pesquisadora, vejo que isso acontece porque as meninas não são estimuladas desde o início, ainda no Ensino Médio, a gostarem das ciências exatas e da natureza, como da matemática e da física. Pensando nisso, até já desenvolvi projetos na área, justamente para despertar a curiosidade e incentivar essas meninas que, por ventura, tenham uma inclinação para entrar na área de exatas ou na computação”, comenta.

Referência em sua área, a cientista da computação trabalha com biotecnologia, desenvolvendo softwares voltados para o segmento de transplantes de órgãos há mais de uma década. Ao longo desse tempo, já realizou inúmeras pesquisas e participou do desenvolvimento e registro de seis programas computacionais, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

“São softwares que podem avaliar melhor a compatibilidade entre o doador do órgão e o receptor. Por meio da tecnologia e dos algoritmos, conseguimos encontrar, de maneira virtual, o melhor receptor para um determinado doador. É um sistema que já tem uma certa maturidade, implantado na Central de Transplantes do Estado de Pernambuco, há cinco anos, e tem excelentes números de precisão, com redução do número de rejeições em pacientes hipersensibilizados”, explica Keylla Urtiga.

Apesar da disparidade entre homens e mulheres na área, a pesquisadora destaca que nunca sofreu preconceito por ser mulher, ainda que observasse algumas insatisfações, sobretudo por assumir cargos de chefia e coordenação desde seu ingresso na academia. De acordo com ela, a melhor maneira de combate o preconceito é fazer com que mais mulheres ocupem os espaços, sobretudo aqueles que eram, historicamente, preenchidos por homens, mostrando sua capacidade e competência, e isso somente é conseguido por meio do estudo e do trabalho.

“Nunca senti preconceito diretamente, mas, em todos os ambientes que a gente circula, vez ou outra escutamos algum comentário, mas nada que tivesse me atingido diretamente. Desde que entrei na UFPI ocupo cargo de gestão, então, sempre que você está em posição destaque, de certa forma desagrada muitas pessoas porque ainda não veem a mulher como liderança. Mas isso está mudando bastante. Estamos galgando espaços e não tem mais retorno, e isso se consegue com sucesso, mostrando trabalho e que é capaz. Somente assim você consegue ser respeitada”, disse.

“O que eu faço hoje, como cientista da computação, é desenvolver pesquisa aplicada, que vai resolver o problema de alguém, impactando a vida das pessoas e tendo utilidade prática e social. Dentro das universidades, precisamos potencializar o desenvolvimento de pesquisas que possam resolver alguma dor da comunidade em todas as áreas”, conclui Keylla Urtiga.

Fonte: O Dia

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