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16 de julho de 2024
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O ator e diretor Flávio Guedes: luz no cinema picoense

 

 

 

Por

Maria Nilza

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O ator e aprendiz de cineasta em momento de descontração. foto: acervo pessoal

 

 

Quem é Flávio Guedes? A resposta que mais o define saiu de sua própria boca: “curioso”. E foi esta curiosidade que o levou de Picos até o grande centro das artes do Brasil. Ele está em São Paulo desde 2011. “e vim exatamente em busca do conhecimento que me faltava especialmente na área audiovisual. Passei por cursos como, Globe -SP, Macunaíma e Escola de Atores Wolf Maia, tive a oportunidade de conhecer e trabalhar com pessoas bem especiais e importantes para essa minha formação. E pude além de Teatro, fazer alguns trabalhos na área Audiovisual. Mas o que me mantém financeiramente é o meu trabalho como funcionário efetivo do Banco do Brasil, que aliás foi o que me possibilitou vir pra metrópole sem tanto medo, já que diferente de muitos, não vim em busca de emprego.”

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Flávio em cena curta A partida.

Flávio se move guiado pela paixão artística, desde os 14 anos já dava os primeiros passos cênicos, na antiga capital do Piauí, onde nasceu. O oeirense se mudou para Picos e continuou seu trabalho de ator. A partir daí, a busca pelo aprendizado é contínua e segundo ele, é isto que o impulsiona. “Gosto de me experimentar em tudo que me instiga. E o cinema, as artes cênicas de uma forma geral, me instigam, e por isso comecei em 2008 a me experimentar no audiovisual. A princípio, nas primeiras produções, de forma meramente intuitiva, amadora, inexperiente. E conforme fui tomando gosto, fui buscando conhecimento técnico e material mais adequado, que deu impulso para essa minha segunda fase de imersão no audiovisual, retomada em 2014”.

Os sonhos de menino

O ator desde sempre, o artista já nasce. O que falta é que o deixe crescer e não o sufoque dentro da alma. Nos seus sonhos infantis já atuava, mesmo sem saber que isto tinha um nome, ele previa, à sua maneira, seu futuro. “Brinquei com todos os sonhos que sonhei. Primeiro sonhei e brinquei de ser professor na infância, e fui professor na rede estadual e municipal, em Picos, até 2005. Depois brincava com meus amigos de sermos donos de um banco e fazíamos dinheiro com carteiras de cigarro, me tornei bancário em 2006, continuando até os dias atuais, por fim desde sempre brincava de representar, dentro de casa, assistindo aos programas de TV, criando histórias, fantasiando, até uma mini companhia circense criamos na minha vizinhança, cobrando ingressos e tudo.”

Realizações

Seu projetos realizados na área do audiovisual já compõe uma bela lista: dirigiu sete curta-metragens e o longa Nossa Senhora dos Remédios, em 2011, que conta a história de como chegou imagem da santa na diocese de Picos. Neste último ano participou de diversos festivais de cinema e o curta Edith, tem feito muito sucesso. A narrativa retrata a vida de Severino, um pernambucano que vive em São Paulo e tem uma vida dupla. Durante o dia, para a sociedade, é um homem comum, mas a noite, diante do espelho e de seu amor, ao som da francesa Piaf, para seu amado, ela faz do sua quitinete um universo Où l’amour est roi e, se transforma na diva Edith. É uma obra que se iguala as dos grandes cineastas brasileiros. E, também em 2015, produziu o curta O Sonho de Filismino, rodada na região de Picos.

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Flávio Guedes no teatro em São Paulo. foto: acervo pessoal

E, os sonhos deste sonhador continuam fluindo, “no momento estou envolvido na direção de mais um curta, aqui em São Paulo, com nome provisório de “Espelho” e na produção de outro curta para o qual fui convidado a fazer  direção de fotografia. Tenho prontos dois outros roteiros de curtas metragens, um deles que planejo rodar em Oeiras, para assim encerrar essa minha primeira imersão na produção de curtas metragens e poder reuni-los em um DVD futuramente. Já comecei também a trabalhar no roteiro de um longa-metragem, mas que só será feito quando terminar esse projeto dos curtas, isso por volta do final de 2016 ou início de 2017”.

O cinema em Picos

Além de produzir, Flavio Guedes estuda muito as técnicas da arte cênica e do audiovisual. Assim poderá aportar uma boa contribuição ao cinema da macrorregião de Picos, que cresce a cada dia, faltando um pouco de empenho e profissionalismo. Sobre a produção picoense, o cineasta – apesar de não se considerar com tal – acredita que “só em haver uma produção já é um grande mérito. O cinema e sua produção centra-se em grandes cidades, e as pequenas ficam à margem, ou apenas como consumidora. A tecnologia e as maquinas digitais torou acessível o cinema a todos que têm desejo em fazê-lo. Mas diferente da famosa frase atribuída a Glauber Rocha, de que ‘Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão’ são suficientes para fazer cinema, pode disseminar erroneamente o fazer cinema ‘de qualquer jeito’.

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Espetáculo teatral em São Paulo. foto: acervo pessoal

Apesar da precariedade da produção cinematográfica, Guedes admira o heroísmo destes cineastas experimentais, pois “a iniciativa é muito válida, o fazer, o dar a cara a tapa”, entretanto, nem só de coragem se faz cinema, “é preciso buscar conhecimento técnico, se aperfeiçoar sempre. O cinema intuitivo existe, é válido, por vezes tem muita qualidade, mas quanto mais se puder agregar conhecimento para executar esse ofício, maiores serão as chances de um trabalho bem feito. De forma que fico muito feliz com essa efervescência que tem tomado conta de Picos e cidades da região, nas produções cinematográficas, que tem movimentado artistas, curiosos, e a população em geral, mas espero que os fazedores busquem sempre aprender e aprender mais, para que as produções adquiram mais e mais qualidade.

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