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4 de junho de 2026
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Quaresma é tempo de conversão, compromisso social, jejum e preparação para a Páscoa

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A Igreja Católica inicia, no dia 18 de fevereiro, a Quaresma de 2026, período que se estende até a Quinta-feira Santa, 2 de abril. São 40 dias que antecedem a Páscoa, considerada a maior celebração do calendário cristão, e que convidam os fiéis à oração, ao jejum e à caridade. Mais do que uma preparação litúrgica, a Quaresma é um chamado à renovação interior e ao compromisso com a fé vivida no cotidiano.

“Nós, católicos, vivenciamos esse período chamado de Quaresma, que é um tempo litúrgico da Igreja. E como tempo litúrgico, a Quaresma prepara os cristãos para celebrar a Páscoa, que é a maior festa da Igreja

Padre Edvaldo Barbosada Arquidiocese de Teresina

A escolha dos 40 dias, de acordo com o pároco, não é aleatória. O número é recorrente na Sagrada Escritura, especialmente quando se recorda os 40 dias que Jesus passou no deserto, sendo tentado. Inspirada nesse simbolismo bíblico, a Igreja estabeleceu a Quaresma como um tempo de recolhimento e transformação espiritual.

“Ainda nos séculos passados, a Igreja escolheu 40 dias para esse ser um tempo de oração, de jejum e de caridade. Esses são os três pilares do tempo quaresmal que somos convidados a viver”, lembra.

Na Quarta-feira de Cinzas, o Evangelho proclamado já indica essas três práticas recomendadas pelo próprio Cristo: oração, jejum e esmola, hoje também chamada como caridade. Trata-se de um convite à conversão, à mudança de vida e à renovação da fé.

“Esses 40 dias da Quaresma nos convida a este tempo de conversão e de vivência nova da nossa fé. É também um tempo em que as pessoas, sobretudo os adultos que se preparam para os sacramentos da iniciação da vida cristã, vão fazendo passos mais imediatos. São eleitos, apresentados à comunidade, recebem orações aos domingos durante a Quaresma e, na noite da vigília da Páscoa, são batizados e recebem o sacramento da crisma e a eucaristia. É a preparação para os sacramentos para quem ainda não recebeu”, reforça o padre.

Viver a Quaresma, contudo, não é uma tarefa simples. Requer renúncia, disciplina e disposição para rever atitudes. O objetivo final é a vivência plena da Páscoa, entendida como tempo de vida nova.

“Para celebrar a Páscoa, temos a Quaresma, e o desejo é de que sejamos renovados em nossas atitudes e pensamentos. Se a gente assim fizer, com certeza vamos viver as alegrias da Páscoa, que é vida nova e tempo novo. Jesus trouxe isso na sua ressurreição. Ele venceu a morte e quer também que a humanidade vença a morte, o medo, as dificuldades e experimente as alegrias da Páscoa”, enfatiza o padre Edvaldo Barbosa.

Jejum das palavras: orientação do Papa Leão XIV

Na mensagem divulgada recentemente, o Papa Leão XIV reforçou um aspecto que amplia o sentido tradicional do jejum. O Pontífice destacou a necessidade de dar lugar à Palavra através da escuta, chamado de “jejum das palavras”. A proposta é que os fiéis pratiquem não apenas a abstinência alimentar, mas também a moderação na fala, especialmente em tempos marcados pela comunicação acelerada.

A orientação parte da importância da escuta. Escutar mais e falar menos pode evitar conflitos e promover relações mais saudáveis. “Entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta”, disse o Papa.

Segundo o padre Edvaldo Barbosa, o conselho se estende também às redes sociais, onde o ambiente digital pode favorecer julgamentos precipitados e discursos agressivos. A proposta é que a Quaresma seja também um tempo de purificação da linguagem e das intenções.

“Às vezes, utilizamos os nossos meios de comunicação para ofender e mandar indiretas, mas o Papa pede que façamos o jejum dos alimentos, mas também sejamos moderados nas palavras. Nada de palavras ofensivas”, reforça.

Juventude e fé: um movimento crescente

Nos últimos anos, tem sido cada vez mais perceptível a presença de jovens nas celebrações e movimentos da Igreja Católica. Referências como o frei Gilson e a canonização de Carlo Acutis têm despertado interesse e engajamento nas novas gerações. Para o padre Edvaldo, esse crescimento é motivo de esperança.

“Saber que os jovens podem escolher tantos outros caminhos e formas de viver a sua vida, mas muitos estão voltando para este encontro pessoal com Jesus através da oração. São pessoas que acompanham a espiritualidade do Frei Gilson, como de outras pessoas que estão na pastoral. Tem sido um sinal muito expressivo a presença da juventude em nossas igrejas”, comenta.

Carlos Acutis, considerado modelo para a juventude, utilizou as redes sociais para evangelizar. - (Divulgação)Divulgação

Carlos Acutis, considerado modelo para a juventude, utilizou as redes sociais para evangelizar.

Segundo ele, os jovens têm buscado pertencimento e propósito, participando de movimentos juvenis, pastorais e ações comunitárias. “Através dos movimentos juvenis, eles querem fazer a experiência da oração e do pertencer, de colaborar e servir à comunidade com seu espírito jovem e com suas características”, fala o padre.

Carlos Acutis, considerado modelo para a juventude, utilizou as redes sociais para evangelizar. Sua postura demonstra que a tecnologia pode ser instrumento de fé. O desejo do padre Edvaldo é que cada vez mais jovens possam evangelizar através das mensagens nas mídias sociais.

Vivendo a Quaresma com jejum das redes sociais

Para aqueles que iniciarão a vivência quaresmal pela primeira vez, o padre sugere medidas simples e eficazes. A principal delas é a leitura da Palavra de Deus. “É um hábito muito importante, porque na Bíblia a gente conhece a pessoa de Jesus Cristo e falamos com Jesus através da Palavra. É preciso ler e meditar a palavra de Deus.”

Outra orientação é rever o uso das redes sociais, reservando mais tempo para o diálogo presencial e para a convivência familiar. “Use o que for necessário, mas se puder fazer um bom jejum das redes sociais, vale a pena”, reforça.

Para o auditor Augusto Oliveira, a Quaresma é, acima de tudo, um tempo de preparação para a Páscoa. Ele relembra uma frase dita pelo padre de sua paróquia durante a homilia: “O cristão não pode chegar à Páscoa como saiu do Carnaval”. Para ele, essa reflexão resume o verdadeiro sentido desse período: mudança, conversão e crescimento interior.

Durante os 40 dias, Augusto procura viver com mais intensidade os três pilares propostos pela Igreja: oração, jejum e caridade. “Na Quaresma, procuro ser mais humano, mais caridoso e seguir os três pilares que somos chamados a viver neste tempo de preparação”, afirma.

A penitência escolhida costuma estar ligada aos excessos do dia a dia. Assim, ele costuma abrir mão de alimentos que consome com frequência, como fast-food, doces e até arroz. A prática, segundo ele, ajuda no autocontrole e fortalece a disciplina espiritual.

Para ele, a renúncia tem um propósito solidário. “Com essa prática de penitência alimentar, consigo exercitar ainda mais a caridade, pois o dinheiro que deixo de gastar com essas comidas pode ser destinado a ajudar quem mais precisa”, comenta.

Campanha da Fraternidade 2026: “Fraternidade e Moradia”

A dimensão social da fé também se expressa através da Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela Igreja Católica. Em 2026, o tema escolhido é “Fraternidade e Moradia”, que tem como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

Para o padre Edvaldo, a fé e o compromisso social caminham juntos. A temática deste ano chama atenção para a realidade habitacional brasileira. Cerca de 6,2 milhões de famílias não possuem moradia adequada e aproximadamente 328 mil vivem em situação de rua no país. No Piauí, o déficit habitacional é de 124,8 mil domicílios, o equivalente a 12,1% das moradias ocupadas, segundo dados da Secretaria de Planejamento. Em Teresina, a estimativa aponta para cerca de 40 mil moradias em déficit.

“São problemas que a Igreja olha e chama atenção do cristão. Rezamos, mas também precisamos agir em favor daqueles que precisam. Que possamos provocar a sociedade e aqueles que governam nossa nação para que tenhamos políticas públicas voltadas para a questão da moradia e dar a todos uma justa moradia”, alerta o padre Edvaldo Barbosa.

Fonte: O Dia

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