Dados estatísticos referentes ao ano de 2025, divulgados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e pela Coordenação de Controle da Hanseníase e Tuberculose de Picos, revelam um panorama detalhado da situação da hanseníase e da tuberculose no município de Picos e nos demais municípios do Território Vale do Guaribas. As informações foram repassadas pelo coordenador do Programa de Atenção à Tuberculose (PAM) em Picos, Gilberto Valentim.
Conforme o Gráfico 01, que apresenta os casos de hanseníase diagnosticados em moradores de Picos classificados por forma clínica, a maioria dos registros em 2025 segue sendo das formas multibacilares, a exemplo do ano anterior. A forma Dimorfa (MHD) aparece com maior prevalência e, somada à forma Virchowiana, responde por mais de 80% dos novos casos diagnosticados no município.

Apesar do percentual elevado de casos multibacilares, o levantamento aponta indícios de redução da transmissão da doença em Picos. Isso porque a forma dimorfa, embora classificada como multibacilar, costuma apresentar baixa carga bacilar, podendo, em alguns casos, resultar em baciloscopia negativa, especialmente quando próxima ao polo tuberculoide. A ascensão dessa forma clínica nos últimos cinco anos, aliada à redução gradual do número de novos casos, reforça a avaliação de que o município vive um cenário de queda na transmissão da hanseníase.
Já o Gráfico 02, que analisa os casos diagnosticados no PAM em pacientes residentes em outros municípios da macrorregião, mostra um quadro que exige atenção. Embora a forma dimorfa também seja predominante, as formas multibacilares representam 73% dos casos novos em 2025. O dado mais preocupante é o crescimento da forma Virchowiana, que passou de 21% em 2024 para 35% em 2025, indicando um potencial aumento do risco de transmissão da doença nos próximos anos, uma vez que essa é a forma clínica com maior capacidade de disseminação.

O impacto regional fica evidente no Gráfico 03, que revela que mais de 70% dos casos de hanseníase diagnosticados no PAM de Picos são de pacientes oriundos de outros municípios do Vale do Guaribas. O dado expõe uma fragilidade na atenção primária de saúde da região, já que, conforme os protocolos do Ministério da Saúde, a maioria desses diagnósticos deveria ocorrer nas unidades básicas dos próprios municípios, sem necessidade de encaminhamento para centros especializados. O cenário reforça o caráter da hanseníase como uma doença negligenciada.

No recorte exclusivo de Picos, o Gráfico 04 demonstra que 83% dos casos diagnosticados em 2025 são classificados operacionalmente como multibacilares, com predominância da forma dimorfa. Esse perfil ainda representa um desafio para a saúde pública, pois as formas multibacilares, especialmente a dimorfa e a virchowiana, são responsáveis pela manutenção da cadeia de transmissão da doença.

A análise histórica apresentada no Gráfico 05, que acompanha a evolução dos casos de hanseníase entre 2022 e 2025, evidencia uma oscilação anual no número de diagnósticos, reflexo da demanda reprimida durante o período da pandemia da Covid-19. A expectativa da coordenação é que o município mantenha, nos próximos anos, uma média entre 25 e 35 novos casos anuais, com tendência de declínio progressivo, considerando que os principais focos da doença já foram identificados e controlados.


Em relação à tuberculose, o Gráfico 06 mostra uma evolução distinta. Após três anos consecutivos de crescimento expressivo, os dados de 2025 apontam para uma estabilização da incidência, formando um platô que deve se manter pelos próximos anos, com média estimada entre 15 e 25 casos anuais. Segundo o relatório, esse avanço está diretamente ligado à implantação do teste TRM-TB em Picos, que ampliou significativamente o rastreamento e o diagnóstico precoce da doença.
O conjunto dos dados reforça a importância do fortalecimento da atenção primária, da vigilância epidemiológica e da ampliação das estratégias de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce. Embora Picos apresente sinais positivos no controle da hanseníase e da tuberculose, o cenário regional ainda exige ações integradas e contínuas para reduzir a transmissão e garantir um atendimento mais eficaz à população.
Doença que tem tratamento
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar sequelas e interromper a cadeia de transmissão.
O tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da poliquimioterapia, sendo eficaz quando seguido corretamente. Já a tuberculose, também de origem bacteriana, tem cura e exige acompanhamento contínuo para garantir a adesão ao tratamento.
As autoridades de saúde reforçam a importância de procurar a unidade básica de saúde ao perceber sinais como manchas na pele com alteração de sensibilidade, dormência, tosse persistente ou perda de peso, além de manter o acompanhamento médico até a conclusão do tratamento.

