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4 de junho de 2026
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Teresina registrou aumento de desaparecimentos no ano de 2025; veja casos

Foto: Arquivo Pessoal

Teresina registrou aumento no número de pessoas desaparecidas em 2025. A Delegacia de Investigação de Desaparecimento de Pessoas, com sede no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), contabilizou 325 registros de desaparecimento de pessoas maiores de 18 anos na capital. O número é superior ao de 2024, quando foram registrados 265 casos.

Segundo o delegado Jorge Terceiro, titular da Delegacia de Desaparecidos, o crescimento está relacionado à maior divulgação dos canais de denúncia e à descentralização do registro de ocorrências, o que facilitou o acesso da população às delegacias.

“A população já está mais ciente da existência, tanto da nossa unidade especializada aqui no Departamento de Homicídios, como também foi facilitado o registro de ocorrência, de qualquer tipo de ocorrência, em qualquer delegacia da capital. Antigamente, as pessoas podiam não querer se deslocar até aqui no departamento de homicídios, para registrar, mas com a facilidade maior de registrar em qualquer unidade da capital, ficou mais simples para a população fazer esse registro. Nesses últimos três anos, pelo menos que nós estamos aqui à frente da Delegacia de Investigação de Desaparecimento de Pessoas, divulgamos muito o trabalho dessa unidade. Então, a tendência é que a população cada vez mais conheça que a Polícia Civil presta esse serviço, conheça que existe essa unidade, conheça o trabalho feito pela unidade, não só para localizar, mas para investigar o crime de que essa pessoa desaparecida pode ter sido vítima posteriormente. E assim, há um aumento dos registros. Ficou mais fácil, e se sabe que a Polícia Civil empresta esse serviço à sociedade teresinense e piauiense no geral”, afirma o delegado.

O levantamento aponta que, dos 325 casos registrados, 268 tiveram a localização das pessoas. A delegacia destaca que a maioria dos desaparecimentos envolve pessoas idosas.

“É uma grande parcela das pessoas desaparecidas aqui em Teresina se tratam de pessoas maiores de idade, que é a imensa maioria. A grande maioria dos desaparecimentos se referem a pessoas idosas, já com algum início de Alzheimer, que saem de casa e não conseguem retornar. Pessoas idosas do interior que vêm morar na capital Teresina saem da casa dos familiares, mas depois não se consegue retornar para a residência. Consta também nos nossos arquivos, pessoas com problemas mentais, pessoas que têm algum tipo de distúrbio mental, saem de casa, com destino ao centro da capital, e não retornam mais para a residência. Então, é um número muito grande nesse sentido. Também usuários de drogas, pessoas que estão passando por problemas financeiros. Os perfis são os mais variados. E também, por último, há pessoas que acabaram tendo sido vítimas de crime, pessoas que foram alvos, às vezes, da atuação de algum tipo de facção criminosa, que somem com essa pessoa”, narra o delegado.

Casos mais marcantes de 2025 

Os registros da Delegacia de Desaparecidos envolvem apenas pessoas maiores de 18 anos e ocorrências registradas em Teresina. Casos de desaparecimento de menores de idade são encaminhados à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Nos casos sob responsabilidade da Delegacia de Desaparecidos, as investigações se concentram na localização da pessoa e, caso haja indícios de crime, na identificação e responsabilização dos envolvidos.

Em 2025, dois casos chamaram atenção. Segundo o delegado Jorge Terceiro, ambos envolveram jovens mulheres e foram solucionados. O primeiro foi o da adolescente Marcela Vitória, de 15 anos, registrada como desaparecida em junho e localizada dias depois, com vida, em uma residência na zona Sul de Teresina.

Outro caso foi o da jovem Emilly Yasmin, registrado em dezembro, que foi brutalmente assassinada após ser contratada para um programa. Nos dois episódios, o delegado destaca que os responsáveis foram indiciados.

“Nós temos dois casos aqui emblemáticos neste ano. Um da jovem Marcela Vitória, que saiu do colégio, na zona Norte, e foi localizado por nossa equipe quatro dias depois com vida na residência de um indivíduo aqui na região do Parque Saci, na zona Sul da capital. O indivíduo foi, inclusive, preso em flagrante por nossa equipe, levado para a Central de Flagrantes, onde respondeu por procedimento cabível na esfera criminal. E também o caso da jovem Emily Yasmin, de Pernambuco, Petrolina, que veio para a capital Teresina, também desapareceu. Infelizmente, quando foi feito o registro de desaparecimento, apurou-se que ela já havia sido morta. Os autores foram localizados por nossa equipe, presos, inclusive já foram denunciados. E tudo aqui o trabalho da nossa equipe, da desaparecidas, aqui no departamento de homicídio. Então, são dois casos emblemáticos que mostram a nossa atividade, tanto de buscar a pessoa desaparecida, localizando ela ainda com vida, como também os casos que infelizmente não conseguimos localizar ela, ao ponto de conseguir salvar ela. Mas o caso sendo totalmente elucidado, levando os responsáveis à justiça”, explica.

Desafios para 2026

De acordo com o delegado Jorge Terceiro, a atuação de facções criminosas associadas a registros de desaparecimento segue como um dos principais desafios. Nesses casos, o desaparecimento costuma estar ligado a outros crimes.

O delegado também reforça que não é necessário aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento.

“Bem, é atuar cada vez mais de forma enérgica no combate a esses grupos. É ordem do nosso secretário de segurança atual, Chico Lucas, que nós estejamos em cima do trabalho contra essas facções criminosas, que são infelizmente responsáveis por uma parte, mesmo que diminuta, mas por uma parte desses desaparecimentos. E também esclarecer cada vez mais a população dessa atividade aqui da Delegacia de Investigação e Desaparecimento de Pessoas no DHPP, que a população, se tiver qualquer familiar desaparecido, não há necessidade de se esperar 24 horas para o registro, pode ser feito em qualquer delegacia da capital e eles mandam para a nossa unidade. E é isso, divulgar cada vez mais esse trabalho, ampliar a ação da unidade e prestar esse serviço cada vez de forma mais com excelência à população de Teresina”, encerra o delegado.

Fonte: CidadeVerde

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