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5 de junho de 2026
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Júri do acusado de mandar matar empresário a tiros na frente das filhas é suspenso

João Ferreira Pereira, assassinado a tiros na frente das filhas quando as deixava na escola -

O desembargador Sebastião Martins, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), determinou a suspensão da sessão do Tribunal do Júri do réu Paulo Ferreira Pereira, acusado de ser um dos mandantes do homicídio do empresário João Rodrigues Dias Neto. O julgamento estava previsto para o próximo dia 4 de novembro, mas o magistrado suspendeu a data após a Defensoria Pública solicitar que o processo fosse transferido para uma outra comarca.

João Rodrigues, que era casado com a vereadora Valdenia Costa, foi assassinado a tiros na frente das filhas na cidade de São Raimundo Nonato em setembro de 2022. Além de Paulo Pereira, a sua irmã, Patrícia Ferreira Pereira,  Juliermes Braga Paz Landim, Roniglesias dos Santos Silva também são acusados por participação no homicídio, assim como Juniel Assis Paes Landim, condenado a mais de 29 de anos por ter efetuado o disparo.

No pedido, a defesa alegou que havia dúvidas quanto à imparcialidade dos jurados e risco à segurança do acusado, diante da grande repercussão social e midiática do caso pelo fato da vítima ser casada com uma vereadora da cidade. Além disso, o pedido cita a influência da esposa da vítima no município e que a sessão que condenou um dos réus realizada na mesma comarca foi encerrada com houve ameaça de linchamento do acusado.

Ao analisar o requerimento, o desembargador Sebastião Martins ressaltou que embora a notoriedade da vítima e a repercussão do caso na imprensa, isoladamente, não sejam suficientes para caracterizar parcialidade dos jurados, o tumulto e o risco de linchamento ocorridos no julgamento anterior do corréu evidenciam a possibilidade de contaminação do corpo de jurados e ameaça concreta à integridade física do réu.

“Observa-se, numa cognição sumária, a presença de fundada dúvida acerca da imparcialidade dos jurados bem como fundado risco à segurança pessoal do réu, por se tratar de fato amplamente divulgado na sociedade local e que, claramente, foi capaz de causar bastante comoção, tendo, inclusive, o julgamento do corréu, que aconteceu anteriormente, sido marcado por intercorrências, como o grande número de pessoas acompanhando pessoal e remotamente a sessão bem como o risco gerado ao final do julgamento à integridade do sentenciado”, cita o magistrado na liminar. 

Diante disso, o magistrado determinou a suspensão do júri até que o TJ-PI analise o mérito do pedido de desaforamento. O juiz da comarca de São Raimundo Nonato foi oficiado para cumprir a decisão e o processo seguirá para parecer da Procuradoria-Geral de Justiça, antes da análise definitiva pela Corte.

Relembre o caso

João Rodrigues Dias Neto foi morto a tiros na manhã de 13 de setembro de 2022. De acordo com o 11° Batalhão da Polícia Militar do Piauí, a vítima foi morta na  frente das duas filhas quando as buscava em uma escola no Centro da cidade. Uma câmera de segurança próximo ao local registrou o momento em que a vítima é atingida pelos disparos.

Nas imagens, João Rodrigues aparece em uma moto com a caçula sentada no tanque do veículo e a mais velha na garupa. Um homem, que o esperava passar, o surpreende assim que ele entra na rua logo aponta a arma para ele e as duas crianças. O assassino então realiza disparos de arma de fogo contra João.

A vítima e a filha mais nova caem no chão, enquanto a mais velha tenta socorrer eles. As duas meninas não ficaram feridas.

Os acusados

Após ser preso como suspeito pelos disparos, Juniel Assis alegou em depoimento à polícia que havia sido contratado por R$ 1,5 mil para matar João Rodrigues. Naquela ocasião ele apontou quem seriam os mandantes e relatou que a orientação dada era que crime fosse cometido na frente das filhas da vítima.

A motivação

Durante as investigações, o delegado-geral de Polícia Civil, Lucy Keiko, afirmou que a motivação do crime teria sido uma vingança por acidente de trânsito ocorrido em junho de 2022 no qual João Rodrigues teria se envolvido. Apesar disso, lembrou que à época, a vítima não foi indiciada pela morte do idoso. Segundo constava nos autos, o pai dos acusados de serem os autores intelectuais teria morrido após colidir contra um animal na cidade e João Rodrigues bateu no mesmo animal antes de passar sobre o idoso já sem vida.

Fonte: CidadeVerde

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