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4 de junho de 2026
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Violência e censura crescem e afetam maioria dos professores no Brasil

Sala de Aula - Foto: Reprodução / Freepik

A violência e a censura contra profissionais da educação se tornaram fenômenos disseminados em todas as regiões do país. É o que mostra uma pesquisa inédita realizada pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadoras e Educadores (ONVE) da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o Ministério da Educação (MEC).

O estudo ouviu 3.012 professores da educação básica e superior de instituições públicas e privadas, revelando que nove em cada dez profissionais já foram vítimas diretas ou presenciaram episódios de perseguição, intimidação ou limitação da liberdade de ensinar. Os dados reacendem o debate sobre os impactos da polarização política e dos ataques à autonomia docente no cotidiano escolar.

Segundo o coordenador do levantamento, o professor Fernando Penna, da UFF, o objetivo foi mapear situações de censura e perseguição política que impeçam educadores de trabalhar conteúdos obrigatórios ou utilizar materiais pedagógicos recomendados. Mesmo não sendo o foco central, a pesquisa também registrou casos de agressão física. Ele explica que as violências identificadas incluem intimidações, pressões dentro e fora das escolas e tentativas de interferir no conteúdo ministrado em sala de aula. Para Penna, a disseminação dessas práticas demonstra que a censura já está enraizada no sistema educacional e afeta todos que atuam no setor.

O levantamento constatou que 61% dos docentes da educação básica e 55% do ensino superior foram vítimas diretas de censura. Entre os casos relatados, 58% sofreram tentativas de intimidação e 41% receberam questionamentos agressivos sobre seus métodos. Proibições explícitas de conteúdo atingiram 35% dos participantes. Também foram registrados episódios de demissões, transferências forçadas, agressões verbais e até agressões físicas. Muitos profissionais afirmaram ter abandonado a carreira após vivenciar situações de violência ou perseguição reiterada.

Os temas que mais motivaram ataques foram questões políticas, mencionadas por 73% dos entrevistados. Em seguida, aparecem temas relacionados a gênero e sexualidade, religião e conteúdos científicos como a teoria da evolução. Segundo Penna, há casos de professores impedidos de usar materiais oficiais sobre vacinação ou de discutir violência sexual e educação em direitos humanos, mesmo quando os conteúdos são previstos nas diretrizes curriculares.

A pesquisa identificou que a violência não parte apenas de atores externos. Diretores, coordenadores pedagógicos, familiares de estudantes, colegas e até servidores administrativos figuram entre os principais agentes das agressões. Para o coordenador, esse é um dos sinais mais preocupantes, pois indica que discursos de intolerância e negacionismo já penetraram as comunidades escolares e afetam diretamente o ambiente de trabalho dos educadores.

Um dos achados mais alarmantes é que 45% dos docentes afirmam se sentir constantemente vigiados. Muitos evitam abordar temas essenciais por medo de retaliação. A sensação de insegurança levou 20% dos profissionais a mudarem de local de trabalho por iniciativa própria. Penna avalia que esse clima afeta não apenas os educadores, mas prejudica diretamente os estudantes, que deixam de receber formação completa e baseada em conhecimento científico.

O estudo também revela que os episódios de violência aumentaram nos anos de maior tensão política, como 2016, 2018 e 2022. Para o Observatório, esse padrão evidencia a influência da polarização e da manipulação de discursos de pânico moral na intensificação dos ataques. O relatório recomenda a criação de uma política nacional de enfrentamento à violência contra educadores, medida que já está em discussão no Ministério da Educação e no Ministério dos Direitos Humanos.

Com informações da Agência Brasil

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