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5 de junho de 2026
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Vape e cigarro eletrônico elevam riscos cardíacos e causam rápida dependência

Cigarro Eletrônico - Foto: Reprodução/Freepik

O cigarro eletrônico e o vape, vendidos como alternativas “modernas” e supostamente menos nocivas ao cigarro tradicional, estão se revelando vilões ainda mais perigosos para o coração e os pulmões. O alerta é do cardiologista Alcino Sá, que chama atenção para a rapidez e a gravidade dos efeitos dessas substâncias, especialmente entre os jovens.

Segundo o médico, embora o cigarro comum seja um velho conhecido da medicina por causar infarto, câncer e doenças pulmonares, o cigarro eletrônico mostrou ser ainda mais agressivo em um espaço muito menor de tempo. “O que a gente tem de evidências científicas é que o cigarro eletrônico é muito mais deletério que o cigarro convencional. Em apenas uma década de uso, já observamos destruição pulmonar importante e aumento significativo de riscos cardiovasculares”, afirma Alcino.

Um dos principais perigos está na ausência de controle sobre o que é inalado. O comércio desses produtos é proibido no Brasil, portanto a maior parte dos dispositivos é adquirida de forma clandestina, sem qualquer regulamentação sobre as substâncias presentes nos líquidos utilizados. “Não sabemos o que tem dentro. A quantidade de nicotina e de compostos químicos varia, e isso termina causando uma dependência muito maior”, explica o especialista.

Além da nicotina, um potente vasoconstritor que sobrecarrega o coração e os vasos sanguíneos, os líquidos dos vapes contêm aditivos de sabor e aroma criados para atrair especialmente o público jovem. “A indústria percebeu que o consumo de cigarro estava diminuindo e decidiu criar algo com cheiro e gosto agradável. Só que, junto com isso, veio uma dose viciante de nicotina, e o resultado é que muitos adolescentes e jovens adultos se tornaram dependentes muito mais rapidamente”, comenta o cardiologista.

Os efeitos, como tosse persistente, secreção constante e falta de ar aparecem cedo e são sintomas comuns em usuários frequentes. “Há pessoas que acordam de madrugada para tragar o vape. Isso mostra o grau de dependência que o dispositivo pode causar”, destaca Sá. Segundo ele, essa necessidade constante leva a um consumo cada vez maior de nicotina, elevando o risco de intoxicação aguda, situação que há décadas não era observada fora das plantações de tabaco, mas que agora volta a ocorrer nos centros urbanos.

O cardiologista reforça que o impacto no sistema cardiovascular é grave e cumulativo. “As doenças cardíacas, em geral, são agravadas tanto pelo cigarro comum quanto pelo eletrônico. O vape causa vasoconstrição, aumenta a pressão arterial e reduz a oxigenação do sangue. A longo prazo, isso pode levar a infarto, AVC e insuficiência cardíaca”, adverte.

Dados recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforçam a preocupação de que o uso de cigarros eletrônicos provoca inflamação vascular precoce, reduz a capacidade de dilatação das artérias e altera os níveis de oxigênio no organismo. Um estudo publicado em 2024 aponta que o vapor inalado contém metais pesados e compostos voláteis que afetam diretamente a função endotelial, essencial para a saúde do coração.

Para Alcino Sá, o maior desafio ainda é combater a desinformação. “As pessoas acham que o vape é inofensivo porque não tem o mesmo cheiro ou a mesma fumaça do cigarro. Só que ele dá uma falsa sensação de segurança. A destruição que causa é silenciosa, mas muito rápida”, afirma.

O médico alerta que quem já iniciou o uso deve buscar ajuda médica para interromper o hábito, e, se necessário, tratamento especializado para dependência química. “Hoje, há casos de pacientes que tentam parar de fumar o cigarro eletrônico usando o cigarro convencional. Isso mostra o tamanho do problema. O ideal é não usar nenhum dos dois. O coração agradece”.

O uso de vapes e cigarros eletrônicos não representa uma “solução intermediária” segura. Os prejuízos são concretos, o tempo de exposição menor do que imaginam muitos, e os perigos cardíacos, urgentes.

Fonte: O Dia

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