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5 de junho de 2026
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Queda do preço do ovo alivia o bolso de comerciantes e consumidores

Ovos - Foto: Cidades em Foco

Em um cenário de instabilidade econômica e alta nos preços, a notícia da queda do preço do ovo, protagonista no cardápio brasileiro, traz um alívio bem-vindo para o bolso dos piauienses. O alimento, considerado essencial na alimentação da maioria das pessoas, tem sido vendido a preços mais acessíveis nos últimos meses, contrastando com o período da Semana Santa, quando os valores acompanham a disparada da demanda.

Comerciantes e consumidores de Teresina sentem diariamente o impacto da queda no bolso e no cotidiano. No Mercado da Piçarra por exemplo, um dos principais pontos de abastecimento das despensas do teresinense, permissionários revelam que a diminuição nos preços é uma tendência percebida por todos, mas a estabilidade e a qualidade ainda são prioridade para a maioria dos clientes.

Oferta e demanda

O vendedor de ovos Paulo Monteiro, que já trabalha na área há quatro anos, confirma a queda nos preços. “Realmente, baixou. A cartela com 30 ovos, que antes a gente vendia por R$ 15, agora está saindo por R$ 14. Está um valor mais estável, e a gente está vendendo mais barato até que outros estados”, diz. Ele explica que o ovo vendido na granja em que trabalha é de produção local, o que garante a maior qualidade e frescor do produto, atraindo clientes.

É consenso entre os comerciantes que a procedência é um grande diferencial e que é isso que os clientes procuram, ainda mais do que os preços baixos. Apesar da queda no valor, Paulo ressalta que a procura por ovos é sempre alta, mesmo nos períodos em que a inflação fica pior. “O ovo é uma coisa que vende sempre e bem, o ano todo. Mas a gente perceber essa diminuição no preço desde a Semana Santa. Isso atrai mais os clientes, com certeza”, afirma.

Permissionário do Mercado da Piçarra, Alexandre Lira compartilha a percepção da queda de preço, mas com um olhar cauteloso. “O preço caiu bastante. Estava por até R$ 25 aqui no Mercado, há uns dois meses, e agora a gente está revendendo a cartela com 30 ovos grandes por R$ 18”, conta.

Qualidade acima do preço

Porém, Alexandre alerta que nem todo produto com preço baixo tem boa qualidade. Segundo ele, é preciso ficar esperto para os produtos de baixa qualidade e perto do prazo de vencimento. Além disso, Lira destaca que a diminuição no valor é provavelmente passageira. “Toda baixa no preço de mercadoria é passageira. No verão, é muito difícil produzir, a demanda é grande e a manutenção das galinhas fica mais cara por conta do calor. Mas o preço mais baixo atrai o consumidor e pode ajudar a vender outros produtos na banca”, diz.

A permissionária Isauva Sousa já trabalhou com a criação de galinhas e a produção de ovos, mas hoje foca apenas no comércio do produto. Ela reforça a importância da qualidade, procedência e do tamanho do alimento, ainda mais que o preço. “Eu tiro pela minha clientela. Quando o cliente fala que tem ovo na promoção em outros lugares, pode saber que já está com a validade estendida ou que a produção é desconhecida. O ovo de qualidade daqui do Piauí tem a gema mais dura, mais amarela”, conta.

A comerciante explica que o valor do ovo é diretamente influenciado pelo custo da produção, principalmente quando há aumento do preço da soja. “O que mais domina o preço do ovo é a soja, que é a mais utilizada como ração para as galinhas, seja caipira ou de granja”, afirma. Ela ainda ressalta que a qualidade é inegociável e, por isso, trabalha com fornecedores que têm granja no próprio estado, evitando ovos “viajados” que, até devido ao choque térmico com o calor do Piauí, podem estragar mais rápido.

Alívio para quem mais usa

A queda do valor do ovo também é sentida diretamente por quem utiliza bastante o produto no dia a dia. A Maria Francisca, que tem um restaurante no Mercado da Piçarra há mais de 12 anos, revela que a cartela de ovos, que antes custava R$ 24, hoje está em torno de R$ 17. “Ajuda no bolso. O ovo é um alimento essencial e a gente tem que comprar, seja barato ou caro”, afirma. Maria conta que sua família chega a consumir três cartelas de ovos por semana e o uso no restaurante é maior ainda.

O preço acessível permite que os comerciantes mantenham a qualidade dos pratos que oferecem, como diz Maria Francisca, que usa o ovo em diversos pratos – caldos, acompanhando o cuscuz e o beiju, no café da manhã e no almoço. Apesar da sazonalidade e do alerta dos vendedores de que a baixa pode ser temporária, o momento continua sendo de alívio para os consumidores, que podem economizar sem abrir mão de um dos alimentos mais nutritivos e versáteis da culinária brasileira.

Rebeca Negreiros, especial para o Portal O Dia, com edição de Isabela Lopes.

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