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5 de junho de 2026
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Poeta William Soares é encontrado morto aos 72 anos em sítio em cidade do Piauí

Foto arquivo pessoal

O poeta William Melo Soares, de 72 anos, referência da geração Mimeógrafo dos anos 70, foi encontrado morto na tarde de ontem (11) em seu sítio no município de Nazária (a 30 km de Teresina).

O corpo do poeta foi levado para o IML, que passa por exames na manhã desta terça-feira (12). Perícia analisa digitais de William, já que seu corpo estava em estado de decomposição. As causas da morte ainda estão sendo investigadas.

Um dos nomes mais queridos da cena cultural de Teresina, o poetinha como é conhecido, publicou vários livros e incentivou atividades de leitura e eventos culturais como Salão de Humor do Piauí.

William Soares é natural de Alto Longá e dedicou sua vida à divulgação da poesia, foi coordenador do movimento “Livro nas Escolas” e um dos escritores que mais falou de Teresina. Ele também foi autor do projeto “Viver Teresina” que tinha como  objetivo editar cartazes com poemas e postais da capital piauiense.

O poetinha também tem alguns trabalhos musicados pelo Grupo Candeia, além de parcerias com Israel Correia, Elmar Carvalho, Ednólia Fontenele e Danilo Melo, entre outros.

Sua bibliografia inclui participações em obras como Roendo os Ossos do Ofício (1987)Com Licença da Palavra (livro individual, 1986); Topada; Passo a Pássaro (1992), em coautoria com Graça Vilhena, e Congresso das Águas (1998). Foi incluído no livro A Poesia Piauiense no Século XX (1995), do crítico literário e antologista Assis Brasil. William era servidor da Fundação Cultural do Estado do Piauí.

Suas obras: 

Ponta de Rua (obra coletiva, 1978)
Com Licença da Palavra (1986)
Roendo os Ossos do Ofício (1987)
Pásso a Pássaro (co-autoria com Graça Vilhena, 1992)
Congresso das Águas (1998)
Rota do Beija-Flor (2008)
Estado de Garça (2011)
Nadança dos Peixes (2015)

A morte de William Soares repercutiu nas redes sociais e no meio artístico do Piauí.

O jornalista Zózimo Tavares, da Academia Piauiense de Letras, fez uma homenagem com o título: “O voo do poeta William Melo Soares”.

“Uma semana depois do doloroso silêncio da poetisa Graça Vilhena, um novo choque: o voo sem volta do poeta-passarinho William Melo Soares para as lonjuras do Infinito…”, disse Zózimo.

Veja o texto completo aqui

O poeta Adriano Lobão resgatou um texto que fez em 2013 para homenagear William Soares.

“Entendo a poética de William Melo Soares como uma busca pela expressão mais sutil para evocar os sentimentos mais tênues, como quem tenta “colher uma flor / na fenda da pedra bruta”. Suas frases se transformam em evocações, que se transformam em versos, que se revolvem de um lirismo desapegado de maiores arabescos linguísticos. Mesmo quando se utiliza de jogos com a linguagem, busca a consequente resolução, revelando-se mais afeito a um cultivador de sensações que a um tecelão de signos. Oriundo de Alto Longá, vivente neste mundo desde dezembro de 1953, William segue semeando os versos que justificam uma trajetória que pode ser condensada numa única palavra (que costuma substituir seu próprio nome): POETA.

O professor e escritor, Wellington Soares, lamentou a morte do poeta.

“Não estou gostando nada do encantamento, de um uns tempos pra cá, de nossos poetas amados: Elio Ferreira, Graça Vilhena e, no final de semana, William Soares. Que que tá havendo, gente, alguém pode explicar?”.

O jornalista Kenard Kruel, que morreu em maio de 2023, escreveu sobre o poetinha.

“William Melo Soares é uma das vozes mais lúcidas e inconfundíveis da poesia piauiense. Tece, num estilo original e leve, uma poética socioambiental, numa época em que o planeta se encontra ameaçado pela mão do homem. O papel social de um poeta está ligado à competência com que se explora a língua no entender de Mário Faustino, que acreditava que um mal poema degrada a língua – e quando isso acontece a sociedade entra em decadência…”.

Fonte: CidadeVerde

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