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4 de junho de 2026
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Perigos dos energéticos: consumo em excesso pode aumentar risco de doenças cardíacas

O uso em excesso de substâncias estimulantes que diminuem a sensação de cansaço e de sono, como a cafeína, bastante presente em bebidas como energéticos, tem sido cada vez mais comum. Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e do Concurso Nacional Unificado (CNU), por exemplo, muitos recorrem às substâncias para enfrentar longas jornadas de estudos, mas especialistas alertam para os riscos que o hábito pode trazer à saúde, especialmente para o coração.

O cardiologista Alcino Sá explica que o problema central está na alta concentração de cafeína e outros componentes químicos, como a taurina. “Essas bebidas não são naturais, são compostas por estimulantes que, em excesso, podem provocar crises hipertensivas e arritmias cardíacas. Em casos mais graves, há risco até de morte súbita”, afirma.

Perigos dos energéticos: consumo em excesso pode aumentar risco de doenças cardíacas - (Stefhany Cavalcante/O Dia)Stefhany Cavalcante/O Dia

Perigos dos energéticos: consumo em excesso pode aumentar risco de doenças cardíacas

Segundo o especialista, a dose considerada segura fica em torno de 80 a 100 miligramas de cafeína por dia, o que equivale a três xícaras pequenas de café expresso ou cerca de 200 ml de café coado. Acima desse limite, o risco cardiovascular aumento significativamente. Pessoas com hipertensão, idosos ou quem já tem histórico de arritmia precisam redobrar a atenção.

Além do consumo em excesso das bebidas em si, há também o perigo do uso associado a outras substâncias, como o álcool. Misturar energéticos com bebidas alcoólicas é um hábito muito comum em festas e baladas e pode potencializar os efeitos no organismo. “O álcool também pode elevar a pressão arterial e causar arritmia. Junto com os energéticos, o efeito é turbinado e os riscos ficam ainda maiores”, alerta o Dr. Alcino.

Além dos efeitos imediatos, o uso prolongado dessas bebidas pode levar à dependência. O corpo passa a exigir doses cada vez maiores para alcançar o mesmo efeito, fenômeno conhecido como tolerância. “É perigoso, porque o consumo tende a se intensificar com o tempo, aumentando as chances de complicações cardiovasculares”, diz o especialista.

Alcino Sá, cardiologista - (Assis Fernandes/O Dia)Assis Fernandes/O Dia

Alcino Sá, cardiologista

Orientação e equilíbrio

O médico destaca que não há necessidade de proibir totalmente o consumo, mas sim de praticar o equilíbrio. “Tudo depende da dose. A diferença entre o remédio e o veneno está na quantidade. Uma xícara de café pode fazer bem, mas várias latas de energético por dia são prejudiciais”, afirma.

Alcino ainda ressalta a importância de buscar informações confiáveis antes de aumentar o consumo de cafeína ou recorrer a estimulantes para melhorar o desempenho nos estudos. “É fundamental ter orientação, seja com cardiologista ou até com nutricionista. A internet está cheia de informações, mas nem todas são de qualidade. O ideal é saber qual o limite seguro e respeitá-lo”, orienta ele.

De acordo com os especialistas, o alerta é de que os energéticos não são uma solução milagrosa para manter a energia e a concentração. Quando utilizados em excesso e sem moderação, podem se transformar em inimigos silenciosos da saúde cardiovascular.

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