O Ministério Público do Piauí pediu à Justiça fim do sigilo da Operação Carbono Oculto 86, que investiga um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro em postos de combustíveis no estado. A apuração também aponta indícios de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a promotora de Justiça Nayana da Paz, o objetivo é dar mais transparência ao caso e permitir o acesso público às informações da investigação.
“O Ministério Público peticionou por mais de uma vez nos autos requerendo o levantamento integral do sigilo, por entender que é importante a prestação de contas junto à sociedade. Tão logo o levantamento seja deferido, retornaremos para prestar maiores esclarecimentos”, afirmou.
Hoje o MP informou que a operação já resultou na denúncia de 12 investigados por crimes como adulteração de combustíveis, fraude contra consumidores, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. As irregularidades teriam ocorrido ao longo de quase uma década, entre 2016 e 2025, envolvendo postos ligados às redes HD e Diamante.
Segundo as investigações, o grupo integra o braço financeiro e operacional da organização criminosa.
De acordo com o Ministério Público, os investigados atuavam de forma estruturada, com divisão de funções e uso de empresas e intermediários para ocultar a origem de recursos ilícitos. Órgãos de fiscalização, como a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Procon, identificaram irregularidades tanto na qualidade quanto na quantidade dos combustíveis comercializados.
A promotora destacou ainda que o Ministério Público seguirá atuando em conjunto com outros órgãos para responsabilizar os envolvidos.
“O Ministério Público seguirá atuando de forma firme e integrada junto aos demais órgãos de persecução penal e de fiscalização, objetivando responsabilizar todos os envolvidos e prestar efetiva proteção à sociedade”, concluiu.
O caso segue sob análise do Poder Judiciário, que deve decidir sobre o recebimento da denúncia e o eventual levantamento do sigilo dos autos.
Entenda a operação
A Operação Carbono Oculto 86 foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar um esquema de fraude, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis com atuação no Piauí e em outros estados. As investigações apontam que empresários usavam redes de postos de combustíveis, empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para movimentar e ocultar recursos ilícitos ligados a uma organização criminosa de atuação nacional.
No Piauí, a operação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e na interdição de 49 postos de combustíveis em municípios como Teresina, Parnaíba, Altos, Demerval Lobão, Lagoa do Piauí e Picos. Órgãos como o Imepi identificaram indícios de bomba baixa, com venda de combustível em quantidade menor do que a registrada, além de manipulação eletrônica nos equipamentos.
O ponto de partida da investigação foi a venda da Rede de Postos HD, realizada em dezembro de 2023, após a criação da empresa Pima Energia, constituída poucos dias antes da compra, o que levantou suspeitas das autoridades. As apurações indicam ainda o uso de laranjas, confusão patrimonial e emissão de notas fiscais sem movimentação real de combustíveis.
Segundo a polícia, o esquema movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com prejuízos ao consumidor e ao fisco. Apesar da gravidade das suspeitas, não houve prisões até o momento, e as investigações seguem em andamento.
Fonte: CidadeVerde

