A Coordenadoria de Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (CDH) da Polícia Militar do Piauí encerrou 2025 com 158 mediações realizadas e um índice de resolutividade sem uso de força superior a 96%.
As ações envolveram ocorrências de alta complexidade, como reintegrações de posse, buscas e apreensões, manifestações sociais, desobstrução de vias e desocupações de prédios públicos, tanto na capital quanto no interior do Piauí.
De acordo com o tenente-coronel Jamson Lima, coordenador da CDH, o resultado é considerado expressivo diante da complexidade dos casos atendidos.
“No final de 2025, a gente chega com uma grande quantidade de mediações. Houve os conflitos, contudo, a gente conseguiu contornar e resolver com diálogo. Isso é muito significativo, porque a gente trabalha com conflitos desde o litoral, aqui na capital, alguns terrenos periféricos, como também na região do Matopiba. E a gente conseguir fazer essas soluções de forma pacífica é muito importante”, destacou.
O coordenador ressaltou que, embora a Polícia Militar não integre o processo judicial, sua presença é fundamental no momento mais sensível, que é o cumprimento das decisões. Ele destaca que em todas essas situações, a atuação dos policiais foi pautada pelo planejamento operacional, respeito aos direitos e garantias individuais e coletivas e, principalmente, pela priorização do diálogo e da negociação.
“A Polícia Militar não faz parte do processo judicial em si, mas na parte mais crítica, que é a execução, a Polícia Militar se faz presente. A gente trabalha com planejamento, com diálogo, com outras secretarias, como a Secretaria de Relações Sociais, com a OAB. Nós também trabalhamos muito com a Defensoria Pública e com o Ministério Público, para que, quando nós formos fazer a execução daquela ordem judicial, a gente já tenha antecipado alguns fatores de risco e tente executar da forma mais humana e pacífica possível”, disse.
Mesmo nos casos em que há resistência, Jamson Lima afirma que a atuação da CDH evita confrontos.
“A gente consegue fazer um diálogo, que é a nossa maior ferramenta, para chegar nesse índice muito significativo de apenas 3% de resistência. E essa resistência, diga-se de passagem, muitas vezes é pacífica. A pessoa se senta e não quer sair. Não é aquela de atacar, de termos que fazer autuação ou efetuar algum tipo de uso de agentes químicos ou armamento”, pontuou.
Como perspectiva para os próximos anos, está previsto para 2026 a realização do primeiro curso voltado especificamente para mediação de conflitos fundiários no estado, com a participação de autoridades de outras regiões do país. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Segurança Pública e tem como objetivo fortalecer ainda mais a capacitação dos policiais, reduzindo conflitos e elevando os índices de resolutividade sem uso da força.
“O perfil do policial que trabalha nessa parte de negociação, de mediação de conflito, é bem específico. A gente expôs isso ao nosso secretário de Segurança e ao nosso comandante-geral, coronel Scheiwann, que já autorizou o primeiro curso do estado do Piauí de mediação de conflitos fundiários. A ideia é passar esse nosso know-how para policiais da capital e do interior, para que esse índice de 3% diminua ainda mais”, concluiu.
Fonte: CidadeVerde

