Jacobina do Piauí viveu, nesta semana, uma reunião de alinhamento entre moradores e lideranças locais com um propósito claro: organizar um grande protesto de nível estadual. O movimento pretende unir diversas vozes em um só grito por um direito básico: o acesso à água.
Mais do que um ato local, a iniciativa simboliza a insatisfação de um povo cansado de promessas e do descaso do poder público estadual. Um estado que, mesmo rico em recursos hídricos, segue deixando milhares de famílias à mercê da própria sorte.
E é nesse contexto que o recente debate sobre o abastecimento em Jacobina expõe, mais uma vez, um problema que se repete em todo o Piauí e que já ultrapassou o limite da paciência popular.
Na prática, a concessionária é apenas a executora de uma política pública definida pelo Governo do Estado. O verdadeiro comando da torneira está nas mãos do governador Rafael Fonteles, a quem cabe a responsabilidade direta por garantir o abastecimento e fiscalizar o serviço prestado à população.

Enquanto os protestos miram apenas na empresa, o poder público estadual permanece à sombra, distante da pressão popular. A conta, porém, chega todos os meses e a água, raramente, quando chega é impura.
Talvez seja hora de o povo redirecionar seus gritos: cobrar de quem realmente decide e lembrar, nas urnas, de quem teve a chance de resolver e preferiu deixar o Piauí com sede.
O que se vê é um roteiro que se repete: promessas, anúncios e visitas técnicas que nunca saem do papel. Enquanto isso, a população de dezenas de cidades aprende a conviver com torneiras secas, caminhões-pipa e desculpas prontas. A indignação cresce, mas ainda falta direção e é justamente isso que mantém o problema vivo.
Em um estado rico em rios e com potencial hídrico invejável, falta menos água do que gestão. Falta vontade política para transformar discursos em obras, e compromissos em resultados. O povo do Piauí já entendeu que a seca não é apenas climática, é também de responsabilidade. E a próxima eleição talvez seja a oportunidade de mostrar que quem nega água, um dia também pode ficar sem votos.
A Águas do Piauí foi a empresa vencedora do leilão de concessão realizado após a extinção da antiga Agespisa, sob o argumento de uma “reestruturação regionalizada” dos serviços. Na prática, trata-se de mais um capítulo do projeto de privatização dos serviços essenciais, que prioriza o lucro em detrimento da vida, do meio ambiente e da dignidade humana. O governo apostou na entrega do saneamento à iniciativa privada como solução rápida, mas o que se viu foi o agravamento de um problema histórico. Agora sem a presença direta do Estado e com ainda menos compromisso social.
E, se antes a falta d’água era motivo de promessa, hoje é consequência de omissão. O povo do Piauí já entendeu quem realmente controla a torneira. E, nas urnas, talvez seja a hora de fechar a válvula de quem abriu mão do dever de garantir o mais básico: o direito de todo cidadão à água.
Privatizar não é se livrar da responsabilidade é mudar a forma de administrá-la. Ao leiloar (concessão) a antiga Agespisa, o Governo do Estado transferiu a execução do serviço, mas manteve o dever de garantir que ele funcione. Fiscalizar, cobrar resultados e proteger o interesse público continuam sendo obrigações do governador Rafael Fonteles. Quando o povo abre a torneira e só encontra ar, não é a empresa que falha sozinha é o Estado que se omite. E o nome disso não é modernização: é abandono.
Por: Fernandes Neto, MTb nº0001840/PI

