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13 de junho de 2024
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Acusado de ser mentor de estupro coletivo nega o crime; “Não fui eu”

O foragido da polícia, Adão José de Sousa, de 40 anos, acusado de comandar os estupros na cidade de Castelo do Piauí, onde quatro jovens foram abusadas sexualmente e em seguida espancadas, foi preso na noite desta sexta-feira (29/05), no município de Campo Maior, região Norte do Piauí. Na manhã deste sábado (30), o acusado foi levado até a Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI) na companhia do secretário, Fábio Abreu, e dos demais delegados e policiais envolvidos na ação. Adão negou ter participação no crime, mas a polícia e os quatro menores envolvidos e que estão apreendidos afirmam ter certeza de que o homem é o mentor e coordenador de todo o crime.

Adão chegou na SSP com o aspecto de cansado. Suando bastante e com o rosto espantado, o acusado negou veementemente ter participado dos estupros e disse que é sim bandido, mas não estuprador. “Nunca estuprei ninguém, já tenho passagem por outros crimes como assalto e tráfico de drogas, mas não por estupro. Não participei desse crime e tenho certeza de que a polícia vai encontrar o verdadeiro responsável”, desmente.

O acusado concedeu uma entrevista de aproximadamente 15 minutos e falou sobre os outros crimes que havia cometido no Estado de São Paulo e também na cidade de Castelo do Piauí. No Sudeste, Adão cumpriu pena de 13 anos. “Respondo a três processos. Um por tráfico de drogas, assalto e tentativa de homicídio. Não sei porque estão falando que fui eu que comandei esses estupros, eu nem estava na cidade no dia. Saí de Castelo no sábado e os estupros ocorreram na quarta-feira”, justifica. Indagado pelos jornalistas sobre o motivo de estar fugindo da polícia, ele revela que fugia devido ao assalto que havia realizado a um posto de combustível, na noite de sexta-feira. Durante a ação, Adão disparou um tiro na cabeça da frentista. A vítima não morreu, mas segue internada. “Disparei acidentalmente contra ela, não queria atirar. Ela jogou o carro pra cima de mim, aí a arma disparou sem querer”, contou.

Acusado negou ter participação no crime (Foto: Manoel José/O Olho)

POLÍCIA DETALHA MODUS OPERANDI DO CRIME
O delegado Willame Moraes, gerente do policiamento do interior, detalhou como ocorreu toda a ação. Ele revelou que todos os menores confessaram terem participado dos estupros e espancamentos e acusaram Adão de ter sido o mentor e coordenador da ação do início ao fim. “Todos confessaram e acusaram o Adão. Existem fartas provas e a polícia munida disso e de todas as provas que foram colhidas, tem certeza de que esse homem tem participação no crime. Não há dúvida nenhuma quanto a isso”, informou.

Delegado Willame Moraes (Foto: Manoel José/O Olho)

Já o delegado Laércio Evangelista, responsável pelos municípios de Campo Maior e de Castelo do Piauí, contou como se deu o modus operandi do crime. Segundo ele, os menores, três de 15 anos e um de 17 anos, relataram como abordaram as garotas e começaram o ataque. Todos estavam drogados e sob efeito de crack e maconha. “Todos confessaram que participaram e apontaram o Adão como mentor. Eles dizem que quando as meninas chegaram ao morro, o Adão, que estava com uma faca, encostou e amarrou as jovens. Os pés, mãos e boca foram amarrados. Em seguida, após estuprarem, jogaram as jovens de cima do morro e atiraram as pedras. Eles confessaram que queriam matar as quatro”, detalhou.

“Não tenho nada a ver. Quero que a polícia realize os exames para que possam comprovar que não tenho nada a ver. Eu não estava no morro e não sei como aconteceu isso. Nem conheço esses meninos, nem sei quem são. Eu não costumava frequentar esse morro. Eu moro há pouco tempo na cidade, vivi 20 anos em São Paulo, vim há pouco tempo pra cá. A polícia vai saber que não tenho envolvimento. Esse sangue que dizem ter encontrado lá não é meu”, afirma Adão.

Willame Moraes disse ainda que a polícia ainda não ouviu as jovens agredidas devido ao estado de saúde ao qual se encontram. Após passarem mais alguns dias internadas, as jovens realizarão novos exames e terão material genético coletado. “Vamos esperar as meninas melhorarem para podermos colher o depoimento de cada uma delas. Elas irão nos detalhar todo o crime. Nesse momento elas ainda estão recuperando a memória. A maioria dos golpes foram desferidos na cabeça, o que fez com que perdessem os sentidos”, relata.

Delegado Laércio Evangelista (Foto: Manoel José/O Olho)

Indagado sobre o que poderia ter motivado tamanha crueldade no crime, o delegado disse que não há explicação. “Motivo torpe, pura malvadeza”, diz.

JOVENS REALIZAVAM TRABALHO ESCOLAR
Muitas pessoas se perguntam qual o motivo das quatro jovens estarem em cima do morro, um pouco afastadas da cidade. Segundo contou a polícia, as menores, duas de 15 anos, uma de 16 e outra de 17, estavam realizando um trabalho escolar. “Elas estavam realizando um trabalho da escola e resolveram tirar umas fotos no local. Já que fica em cima de um morro e a paisagem é bonita, elas ficaram tirando fotos até que foram avistadas pelo bando”, diz Willame Moraes.

Secretário de Segurança, capitão Fábio Abreu (Foto: Manoel José/O Olho)

Ainda sobre o modus operandi do crime, a polícia contou que dois dos acusados, Adão e um dos menores, estavam foragidos em cima do morro desde o último fim de semana. Acusado de ser mentor, estava foragido devido ao assalto ao posto, já o menor, havia participado de um assalto onde teria roubado um veículo. Os outros dois menores estavam servindo para levarem mantimentos e drogas para os fugitivos.

O secretário de Segurança do Estado, o capitão Fábio Abreu, informou que Adão irá responder pelos crimes de lesão corporal, tortura, estupro e tentativa de homicídio, além de outros crimes que o mesmo já estava sendo acusado.

“Queremos tranquilizar a população de Castelo e de toda a região, e garantir cada vez o reforço na segurança. Estamos trabalhando e atuando constantemente no sentido de evitar ações como essa, e a secretaria está pronta para garantir total condições de trabalho para nossa polícia. Estamos com todos os envolvido presos já e agora irão responder pelos crimes cometidos”, finaliza.

 

 

 

Fonte: O Olho

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