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5 de junho de 2026
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A cada 24h, um motorista por aplicativo é vítima de ações criminosas no Piauí

Motorista por aplicativo que podem realizar protestos em todo o Brasil - Foto ilustrativa reprodução de Rovena Rosa/Agência Brasil

Insegurança. É assim que os motoristas por aplicativo que circulam pelo Piauí definem seu dia a dia. Usando seus próprios veículos para transportar passageiros desconhecidos e passando por diferentes locais das cidades, estes profissionais afirmam se sentir vulneráveis a todo tipo de violência. Os números atestam este medo.

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) revelam que os motoristas por aplicativo foram vítimas de pelo menos 1.101 ações criminosas entre janeiro de 2024 e abril de 2026. Foram 522 registros de Boletim de Ocorrência em 2024 nas delegacias do Piauí, 473 registros em 2025 e pelo menos 106 de 01 de janeiro a 10 de abril de 2026.

Em 2024, uma média de 43 motoristas por aplicativo foram vítimas de violência mensalmente no Estado. Em 2025, este número caiu para 39 ocorrências mensais. Em 2026, a média de pelo menos uma ocorrência por dia. É como se a cada 24 horas, um motorista por aplicativo sofresse alguma ação criminosa no Estado.

Embora tenha havido uma queda de 9,39% entre 2024 e 2025 nestes tipos de ocorrência, a violência ainda é persistente e assusta quem trabalha no setor. Recentemente, em Teresina um motorista por app foi assaltado durante a corrida, colocado no porta-malas do carro e viveu momentos de terror em Teresina. O veículo foi usado para roubos com ele dentro.

Para ter uma sensação a mais de segurança, os motoristas por aplicativo estão reivindicando no Piauí a instalação de botões do pânico em seus veículos. É uma ação que já foi implantada em ouros estados brasileiros e que, segundo os profissionais, tem surtido efeito em diminuir os índices de violência contra os motoristas de aplicativo.

“No ano passado, em reunião com o governador o secretário [Chico Lucas, à época], ficamos de ter uma resposta sobre a instalação de botões do pânico nos carros. Agora voltamos a cobrar essa questão, porque tem aumentado muito o índice de assaltos dentro da nossa categoria. Os assaltos e os sequestros-relâmpago. A gente trabalha com insegurança, principalmente nós, mulheres. O terror está em toda a categoria e precisamos desse botão do pânico”, diz Maria do Carmo, representante do Sindicato dos Motoristas por Aplicativo do Piauí.

O botão do pânico seria monitorado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado e permitiria a ação imediata das forças policiais em caso de necessidade.

Criação de perfis falsos

Violência no uso de caronas por aplicativo tem sido uma via de mão-dupla. De um lado, motoristas cobrando mais segurança. De outro, clientes se tornando vítimas da ação de criminosos travestidos de profissionais. Neste domingo (12), um motorista por aplicativo atirou e tentou matar o irmão de um passageiro no bairro São Pedro numa suposta discussão pelo pagamento da corrida.

O motorista em questão, Adson Madeira, tinha duas passagens pela polícia e, mesmo assim, estava legalmente cadastrado numa plataforma. As leis que regem o funcionamento deste tipo de serviço no Brasil são claras ao afirmarem que é devem das empresas checarem todos os antecedentes dos motoristas cadastrados e só emitir a autorização para eles circularem após comprovada sua idoneidade.

Em suas páginas oficiais, as principais plataformas que atuam no Brasil dizem que todos os profissionais são certificados e têm sua vida pregressa checada para segurança do passageiro. Mas, de acordo com o sindicato representante da categoria, há criminosos criando perfis falsos nos aplicativos para poderem cometer crimes.

“Hoje está muito fácil fazer contas fake onde não têm a identificação do verdadeiro motorista. Infelizmente nessas horas, cabe ao passageiro zelar pela própria segurança, checando sempre as informações do motorista como o nome dele, vendo se a foto confere e checando a placa do carro. Se vier um motorista diferente, um carro diferente, cancele e não entre”, orienta Maria do Carmo.

As normas de segurança das próprias plataformas instruem os passageiros a fazerem uma checagem completa dos dados da viagem antes de embarcar no veículo, seja ele carro o moto. No passo a passo do uso dos aplicativos consta:

  • Verificar se o modelo do carro constante no app bate com o carro que chegou
  • Verificar se a placa do veículo confere
  • Verificar duas vezes a foto do motorista para se certificar de que é a mesma pessoa que está dirigindo ou pilotando
  • Confirmar sempre o nome do condutor antes de entrar no carro

Os aplicativos possuem funções de segurança durante a viagem, como o compartilhamento da rota com contatos de confiança, recursos de gravação de voz durante a corrida e botão de acionamento da polícia no próprio app. A orientação das plataformas é: se o passageiro perceber algum comportamento inadequado ou estranhar o percurso feito pelo motorista, notificar o problema para a plataforma e acionar as força de segurança.

Fonte: O Dia

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