A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) se manifestou na manhã desta terça-feira (14) sobre as investigações do caso da técnica de enfermagem Auricélia Rocha, suspeita de tentar sequestrar um bebê, no último dia 6 de julho, dentro da Nova Maternidade Evangelina Rosa, em Teresina.
Segundo a delegada Rosa Chaib, 12 pessoas já foram ouvidas formalmente sobre o caso. Auricélia segue presa preventivamente desde o dia 8 de julho, quando teve o mandado de prisão cumprido quando ela saiu de uma internação de 24h no Hospital Areolino de Abreu.
Devido a prisão da suspeita, a polícia tem trabalhado para conclusão do inquérito que tem o prazo de entrega para o dia 17 de julho. Nessa data, Auricélia pode ser indiciada pela polícia.
“Destaca-se que provas técnicas ainda estão sendo produzidas e diligenciadas, sendo essenciais para a elucidação dos fatos e para a formação do convencimento da autoridade policial. Em respeito ao sigilo das investigações e visando preservar a efetividade dos trabalhos, outras informações não serão divulgadas neste momento”, afirma a DPCA em nota.
Segundo a polícia, a investigada foi formalmente indiciada por estelionato em outro inquérito policial.
Câmera registrou tentativa de sequestro
Vídeos do circuito de monitoramento da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa mostram parte da movimentação da técnica de enfermagem Auricélia Rocha no dia da tentativa de sequestro de um recém-nascido, ocorrida em 6 de julho. As imagens, que integram a investigação da Polícia Civil, registram momentos como a chegada da suspeita à unidade, a troca de roupa e a retirada da bebê dos braços da tia.
Nas imagens às quais a reportagem teve acesso, Auricélia Rocha aparece chegando à maternidade próximo a 13h. A polícia já revelou que no dia, a técnica de enfermagem não estava de plantão e alegou que foi até a maternidade para resolver questões administrativas. Após chegar ao local, ela troca de roupa e coloca o traje de trabalho.
Próximo às 14h, Auricélia aparece pegando dos braços da tia, Daniele Beatriz, a bebê. Ela vai até o banheiro, e Daniele, desconfiada, a segue minutos depois. Ela então encontra Auricélia, já com outra roupa e com o bebê dentro de uma bolsa.
Conforme informações recebidas no dia da denúncia, a tia então começa a alertar pessoas da unidade da tentativa de sequestro do bebê. As pessoas da maternidade começam a perceber a movimentação, e Daniele tenta impedir que Auricélia deixe a unidade de saúde. A Polícia Civil do Piauí não soube explicar por qual motivo Auricélia não foi presa em flagrante.
A suspeita só foi presa um dia depois, quando saia do Hospital Areolino de Abreu, onde foi internada por 24h pela família.
Segundo a Polícia Civil, as imagens fazem parte do conjunto de elementos reunidos para embasar o inquérito que apura a tentativa de sequestro. De acordo com o delegado Hugo Alcântara, os registros auxiliam na reconstrução da dinâmica do caso e serão analisados durante a investigação.
A Maternidade pode ser responsabilizada?
Apesar de ter sido flagrada com a criança em uma sacola, a técnica de enfermagem não foi presa em flagrante. Segundo o delegado Hugo Alcantara, no dia do crime houve o registro de um boletim de ocorrência, realizado pela direção da maternidade horas após o ocorrido.
Questionado sobre o motivo de a suspeita não ter sido autuada em flagrante, o delegado afirmou que não há informações sobre a saída da técnica da maternidade. Ele acrescentou que, com o avanço das investigações, a polícia ouviu o diretor da unidade, a enfermeira-chefe e obteve imagens do circuito interno de segurança, que serão encaminhadas para análise.
Sobre uma eventual responsabilização da maternidade, Hugo Alcantara explicou que, neste momento, o inquérito policial tem como foco exclusivo a conduta da investigada.
“A responsabilização de uma pessoa jurídica é uma questão de direito civil. Eu, como delegado de polícia, presido um inquérito policial, que é um procedimento administrativo investigativo, que tem um objeto determinado e eu estou investigando propriamente a conduta da investigada que tentou sequestrar um bebê dentro da maternidade”, afirma.
O delegado afirmou que, diante da urgência do caso, a prioridade da equipe foi cumprir o mandado de prisão e reunir, o mais rápido possível, elementos que corroborassem a prática do crime atribuída à investigada. Segundo ele, o procedimento ainda está em andamento, novas pessoas serão ouvidas e outras diligências serão realizadas para esclarecer todas as circunstâncias do caso.
“O procedimento ainda vai evoluir, vamos ouvir mais pessoas, vamos tentar entender e preencher esse quebra-cabeça com o máximo de informações possíveis, mas até o momento é muito cedo para falar em eventual responsabilização. Obviamente é um caso muito chocante, identificamos algumas situações atípicas, mas é muito precoce eu, como delegado, estar falando de eventual responsabilização de pessoa jurídica, até porque foge da nossa alçada como investigador”, encerra.
Fonte: CidadeVerde

