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8 de julho de 2026
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Seis barragens no Piauí apresentam níveis de risco ou dano elevado, aponta ANA

Foto Divulgação/Sedec-PI

O Relatório de Segurança de Barragens 2026, que consolida os dados de fiscalização referentes a 2025, identificou estruturas de reservatórios (barragens) no Piauí que demandam atenção na gestão de segurança. De acordo com o levantamento, o Estado possui cinco barragens com evidência de potencial dano humano e uma estrutura com comprometimento estrutural identificado.

As cinco barragens classificadas como Dano Potencial Associado (DPA) médio ou alto, que avalia perdas de vidas humanas e impactos socioambientais em caso de ruptura, são: Tinguis, em Brasileira; Nonato, em Dom Inocêncio; Félix Pereira de Carvalho, em Picos; Açude Sede São Julião, em São Julião; e Tanque/Aldeia, em São Raimundo Nonato.

Além destas, a Barragem dos Gatos, situada no município de Jatobá do Piauí, foi classificada com Categoria de Risco (CRI) alta, que indica que a estrutura apresenta anomalias graves ou estado de conservação que podem comprometer sua integridade.

Apesar dos dados preocupantes, o relatório destaca que nenhuma barragem no Piauí atende, simultaneamente, aos dois critérios (DPA e CRI altos), o que as exclui do chamado “critério padronizado” de prioridade máxima da ANA, embora tenham sido listadas como prioritárias pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), que enviou as informações para a produção do relatório pela Agência.

As demais barragens citadas pela Semarh e que não apresentam nem DPA nem CRI altos são: Serra Negra (Aroazes), Brasileira (Município de Brasileira), Surubim, Formiga, Walter Alencar, uma particular e Salinas (Campo Maior), Catingueira e Da Barra (Fronteira), Açude dos Canais e Poço do Juazeiro (Pio IX), Emparedada e São Julião 02 (São Julião); e Sigefredo Pacheco 01 e 02 (Município de Sigefredo Pacheco).

Para produzi o relatório, a ANA coordenou a coleta dos dados extraídos do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), em janeiro deste ano. Complementarmente, os 33 órgãos fiscalizadores estaduais preencheram formulários eletrônicos detalhando a situação das estruturas sob sua jurisdição.

Avanços cadastrais

O Relatório de Segurança das Barragens 2026 aponta que o Piauí registrou avanços cadastrais e regulatórios significativos em 2025. O Estado teve um aumento de 164% no número de barragens cadastradas no SNISB, com a inclusão de 97 novas estruturas pela Semarh.

Apesar do crescimento no cadastro, a ANA observou que menos de 50% das barragens do Piauí foram verificadas quanto ao enquadramento na Política Nacional de Segurança de Barragens. Por outro lado, o estado conseguiu reduzir a Categoria de Risco de três barragens prioritárias ao longo do ano, após intervenção ou atualizações documentais.

Seis barragens no Piauí apresentam níveis de risco ou dano elevado, aponta ANA - (Ascom / Ccom)Ascom / Ccom

Seis barragens no Piauí apresentam níveis de risco ou dano elevado, aponta ANA

O SNISB contabilizou 29.761 barragens cadastradas no Brasil, das quais 6.609 estão enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens. Em 2025, foram identificadas 213 barragens prioritárias em todo o território nacional que atendem ao critério padronizado, ou seja, possuem, simultaneamente, dano potencial humano e risco por comprometimento estrutura (DPA e CRI).

O país registrou, no mesmo período, 18 acidentes e 23 incidentes em barragens, com mecanismos de falha predominantes relacionados a transbordamentos e erosões superficiais. O investimento público em segurança de barragens em 2025 foi de aproximadamente R$ 104 milhões, valor 27% inferior ao registrado no ano anterior.

Abastecimento dos reservatórios

A gestão das barragens em 2025 ocorreu sob um regime de chuvas irregular, segundo aponta o relatório da ANA. As precipitações influenciaram diretamente no volume dos reservatórios e no grau de atenção demandado das estruturas. Pedro Aderaldo, climatologista da Sana de Monitoramento da Semarh, explica que o período chuvoso de 2025 teve “um boom em janeiro e fevereiro”, mas apresentou queda constante de pluviometria até junho, o que resultou na intensificação da seca em diversas áreas e no rebaixamento do nível de alguns reservatórios.

Em contrapartida, o monitoramento indica que o ciclo de 2026 tem sido mais volumoso e homogêneo. “Nesse período a partir de fevereiro, foram os meses de maior recarga dos açudes e dos rios. Mas o comportamento destes reservatórios no nosso Estado não é homogêneo. Enquanto algumas unidades atingiram a cota de 100% rapidamente, outras regiões como o Sudeste (Vale do Sambito Itaim) registraram os menores índices de chuva entre 400 e 500 mm”.

Essa variação, segundo Pedro, explica por que reservatórios em municípios como São Raimundo Nonato apresentam baixos totais acumulados, mesmo com o aumento geral das chuvas no estado. Segundo o climatologista, além da pluviosidade, fatores como bacias hidrográficas anteriormente secas e a captação de água ao longo do curso dos rios interferem na velocidade de alcance das cotas de segurança.

Para garantir a segurança das barragens, a Semarh monitora diariamente a situação destas estruturas tanto em termos de volume, quanto em termos estruturais. Vitória Alzenir, superintendente de Meio Ambiente da Secretaria, reforça que o órgão trabalha em diálogo com o Idepi e a Defesa Civil para acompanhar diariamente aspectos como nível dos reservatórios e abertura de comportas.

Fonte: O Dia

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