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4 de junho de 2026
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Piauí registra primeiro achado definitivo de pelicossauros da América do Sul

Foto: Reprodução / UFPI

Piauí passa a integrar oficialmente o mapa mundial da paleontologia com o primeiro registro definitivo de “pelicossauros”, sinapsídeos primitivos, já identificado na América do Sul. A descoberta foi liderada por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e publicada nesta quinta-feira (26) na revista científica internacional Journal of Vertebrate Paleontology.

Os fósseis foram encontrados nos municípios de Nazária e Palmeirais, no interior do estado, e datam de aproximadamente 280 milhões de anos, período correspondente ao Permiano (Cisuraliano), na Era Paleozoica. De acordo com o artigo científico, trata-se dos primeiros espécimes confirmados desse grupo no continente sul-americano.

A pesquisa foi coordenada pelo professor e paleontólogo Juan Carlos Cisneros, da UFPI, e integra estudos desenvolvidos na Formação Pedra de Fogo, na Bacia do Parnaíba,  unidade geológica reconhecida internacionalmente pela riqueza de fósseis do Permiano.

Foram descritos dois espécimes: um molde natural da superfície medial de parte de um maxilar, encontrado em Nazária (PI), que apresenta um grande dente caniniforme; e um molde natural da face craniana de uma vértebra dorsal posterior ou caudal anterior, localizado em Palmeirais (PI).

A análise morfológica confirmou que ambos pertencem a Sinapsida, grupo que inclui os chamados “pelicossauros”, ancestrais remotos dos mamíferos.

Segundo o estudo, o maxilar apresenta características compatíveis com Sphenacodontia, um clado de sinapsídeos que incluía predadores terrestres do Permiano. A vértebra indica a presença de um animal de grande porte, acrescentando uma nova classe de tamanho à fauna terrestre conhecida da Formação Pedra de Fogo.

Importância científica do achado

No artigo, os autores destacam que o registro amplia a diversidade filogenética dos tetrápodes terrestres conhecidos para a Formação Pedra de Fogo e acrescenta um novo grupo ecológico à fauna local: um faunívoro terrestre de médio porte.

A descoberta também contribui para reduzir o chamado viés geográfico do registro fóssil do Permo-Carbonífero, historicamente concentrado na Euramérica (América do Norte e Europa). Até então, os principais registros desse grupo estavam documentados nessas regiões.

Para o professor Juan Carlos Cisneros, o achado reforça a relevância científica do Piauí.

“Os pelicossauros foram componentes importantes dos ecossistemas pretéritos. Eles estão entre os primeiros vertebrados herbívoros e carnívoros de grande porte em ambientes terrestres. O novo registro no Piauí representa uma descoberta inédita para o Gondwana”, afirmou.

Ecossistema do Permiano no Piauí

A Formação Pedra de Fogo já é conhecida por fósseis de peixes cartilaginosos, peixes ósseos, sarcopterígios e grandes anfíbios temnospôndilos. Os registros de tetrápodes terrestres, no entanto, eram mais restritos.

Com os novos fósseis, os pesquisadores sugerem que o ambiente do Permiano na região incluía amniotas terrestres de grande porte, predadores terrestres de médio porte e grandes corpos d’água permanentes capazes de sustentar predadores aquáticos.

Esses dados ajudam a reconstruir o cenário ecológico que existia onde hoje se localizam áreas às margens do Rio Poti, em Teresina, região também conhecida pela presença da Floresta Fóssil.

Pesquisa internacional com liderança da UFPI

O artigo científico, intitulado “Early synapsids from the Cisuralian (lower Permian) Pedra de Fogo Formation, Parnaíba Basin, Brazil: the first definitive South American ‘pelycosaurs’”, tem como primeiro autor Kenneth D. Angielczyk e reúne pesquisadores como Jörg Fröbisch, Christian F. Kammerer, Roger M. H. Smith, Claudia A. Marsicano, Jason D. Pardo e Martha Richter.

O estudo contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Prefeitura de Nazária, além de parcerias com instituições internacionais.

Os dados da pesquisa, incluindo análises filogenéticas e arquivos digitais, estão disponíveis em bases científicas abertas, permitindo a replicação dos resultados.

Fonte: CidadeVerde

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