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5 de junho de 2026
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Aprovado projeto que muda nome de aeroporto para homenagear Niède Guidon

Arqueóloga Niède Guidon - Foto: Divulgação

A Assembleia Legislativa do Piauí aprovou o projeto de lei que altera a denominação do Aeroporto Internacional Serra da Capivara para homenagear a arqueóloga Niède Guidon, que morreu em junho deste ano. No projeto, o local passará a ser chamado de Aeroporto Internacional Serra da Capivara – Niède Guidon.

A arqueóloga Niède Guidon nasceu em Jaú, São Paulo em 12 de março de 1933. Estudou história natural na USP (Universidade de São Paulo) e fez doutorado pela Universidade de Paris. Niède morreu no dia 4 de junho de 2025, aos 92 anos, às vésperas do 46º aniversário do Parque Nacional Serra da Capivara.

Segundo a coordenadora dos Museus da FUMDHAM, Rosa Trakalo, a arqueóloga morreu de forma tranquila e sem sofrimento.

A proposta, de autoria dos deputados estaduais Dr. Gil Carlos (PT) e Hélio Isaías (PT), foi discutida pela Comissão de Constituição e Justiça e aprovada pelos deputados. O projeto agora passará por sanção do governo.

Esta deve ser mais uma homenagem póstuma feita a arqueóloga. Em julho deste ano, a Câmara de Teresina aprovou o projeto de lei que altera o nome do atual Parque da Floresta Fóssil para “Parque da Floresta Fóssil Doutora Niède Guidon”.

Quem foi Niède Guidon

Niède Guidon foi uma das mais importantes arqueólogas da história brasileira e mundial. Ela realizou pesquisas arqueológicas no Piauí, sendo responsável pela descoberta de mais de 1.200 sítios pré-históricos e vestígios dos primeiros habitantes humanos do continente. Grande parte dessas descobertas ocorreu em escavações realizadas em abrigos rochosos naturais com pinturas rupestres, no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí — área declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1991. Desses sítios, mais de 600 contêm pinturas rupestres.

A teoria de Guidon sobre a chegada do homem às Américas rompeu com o consenso científico tradicional da arqueologia, amplamente dominado por pesquisadores norte-americanos, que defendem que os primeiros seres humanos teriam chegado ao continente há cerca de 14 mil anos, vindos da Ásia, atravessando o Estreito de Bering (entre a Sibéria e o Alasca) e migrando em direção ao sul.

Com base nas escavações no Piauí e nas datações realizadas na Serra da Capivara, Guidon propôs uma hipótese alternativa: os primeiros humanos teriam chegado às Américas vindos da África, há muito mais tempo do que se supunha. Segundo artigo publicado por ela em 2008, na revista da FAPESP, o material arqueológico resgatado até o início dos anos 2000 indicaria que o homem teria chegado à região há cerca de 100 mil anos.

Foto: Fumdham

Niède Guidon atuou por cinco décadas na região, sendo a principal responsável pela estruturação científica e institucional do parque. Foi fundadora e diretora-presidente da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM) e nomeada como presidenta emérita da instituição.

Em reconhecimento à sua contribuição científica e cultural, Niède foi agraciada com diversos títulos e homenagens. Em 2018, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Também foi homenageada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) com o mesmo título — o mais importante concedido por uma universidade a personalidades que se destacam por sua contribuição à ciência, à cultura ou à humanidade.

Em 2024, Niède Guidon foi vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia — uma das maiores honrarias da pesquisa científica no Brasil — concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), em parceria com a Marinha do Brasil.

Fonte; CidadeVerde

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