O senador Marcelo Castro (MDB) criticou o clima de confronto entre o Congresso Nacional e o governo federal em torno das chamadas pautas-bomba e afirmou que a escalada da tensão política não contribui para a estabilidade do país. A declaração foi dada em meio à tramitação de propostas que podem gerar forte impacto nas contas públicas e que vêm avançando no Senado Federal.
Ao comentar a relação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o Palácio do Planalto, Marcelo Castro (MDB) defendeu responsabilidade fiscal e diálogo entre os Poderes.
“Isso não é bom. Não é bom para a democracia, isso não faz bem ao Brasil. Isso é uma preocupação com o equilíbrio fiscal que todos nós precisamos ter, tanto o Executivo quanto o Legislativo. E vamos torcer e trabalhar para que nada disso aconteça”, afirmou.
A declaração ocorre após a aprovação, pelo Senado, do projeto que amplia a renegociação de dívidas de produtores rurais. Segundo estimativa apresentada pelo Ministério da Fazenda, a proposta pode gerar impacto de R$ 140 bilhões nas contas públicas ao longo dos próximos dez anos. O governo defendia uma versão mais restrita, voltada apenas para produtores afetados por eventos climáticos extremos.
Além dessa matéria, outras propostas classificadas como pautas-bomba avançaram na Casa. Entre elas estão a aposentadoria integral para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias e o projeto que aumenta o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.600 para R$ 13.600. As duas propostas já foram aprovadas em comissões e aguardam análise do plenário.
O debate também chegou à Câmara dos Deputados. O deputado federal Marcos Aurélio Sampaio (MDB) afirmou que o momento exige equilíbrio e criticou a utilização do ambiente pré-eleitoral para pressionar votações de impacto fiscal.
“Eu acredito que a gente não pode deixar a eleição atrapalhar o Brasil. Nós somos políticos eleitos pelo povo. Então a gente tem que defender os projetos que o povo acolheu ao votar nos seus representantes, mas não podemos deixar que o Brasil se acabe por isso”, declarou.

O parlamentar também afirmou ser contrário a iniciativas que criem constrangimentos políticos entre os poderes.
“Nunca fui a favor de botar faca na garganta de ninguém. Não vai ser em momento de eleição que eu vou aceitar fazer isso”, disse.
A discussão sobre as pautas-bomba ganhou força nas últimas semanas em razão da preocupação da equipe econômica com o aumento de despesas obrigatórias e os reflexos sobre o equilíbrio fiscal. O tema também expõe divergências entre o Congresso e o governo em um momento de articulações para as eleições de 2026.
Entre as matérias que seguem em discussão no Senado está a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1. O texto ainda aguarda encaminhamento para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde deverá receber relatoria antes de avançar na tramitação. Enquanto isso, lideranças políticas defendem que as disputas eleitorais não comprometam o debate sobre as contas públicas e a estabilidade institucional do país.
Fonte: CidadeVerde

