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24 de abril de 2024
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Delegado preso no caso Marielle Franco arquivou investigação do filho do piauiense morto no Rio

Foto: Arquivo Cidadeverde.com

O delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, arquivou a investigação do caso do menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, que foi assassinado na porta de casa, no Morro do Alemão, na capital carioca, em abril de 2015 durante confronto entre policiais e traficantes. A mãe de Eduardo retornou ao Piauí após a morte do filho, mas nunca parou de lutar para que crime não ficasse impune. O caso foi arquivado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em novembro de 2016, por “falta de provas”.

Rivaldo Barbosa foi preso neste domingo (24) e é apontado pela Polícia Federal como mentor dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ele tomou posse como chefe da Polícia Civil, em 13 de março de 2018, um dia antes da execução da vereadora. Ele foi nomeado durante a intervenção federal da segurança pública do Rio de Janeiro, decretada pelo então presidente Michel Temer em 2018.

Rivaldo Barbosa está no serviço público estadual desde 2003. Projetou-se como delegado nos anos 2010, quando foi diretor da Delegacia de Homicídios, de 2012 a 2015. Ele estava à frente das investigações da morte de Eduardo. (Veja toda a repercussão do caso no final desta reportagem)

A mãe de Eduardo, Terezinha Maria de Jesus, disse ao Cidadeverde.com que a prisão do delegado Rivaldo Barbosa “triplicou a esperança” de desvendar o assassinato do filho.

“Quando vi a notícia minha esperança triplicou. Eu sempre disse que a investigação da morte do meu filho foi uma encenação, cheia de mentiras, não saia do lugar. Apresentamos testemunhas e só ouvia uns e outros não”, disse Terezinha, que voltou a morar em sua cidade natal Corrente (no sul do Piauí), meses após a morte do filho.

Foto: Arquivo pessoal família

Ela confirmou que o caso foi reaberto após 7 anos com a repercussão do espetáculo “Macacos”, do piauiense Clayton Nascimento.

“Eu como mãe, luto pra esse caso não ficar impune. Eu mesmo investiguei, conseguimos provas e a peça do Clayton me ajudou a reabrir a investigação. A arte ajudando a justiça ser mais rápida”, destacou.

Terezinha disse que o sentimento é de revolta.

“No dia da morte do meu filho, o delegado Rivaldo Barbosa entrou na minha casa, eu não queria policial em minha casa, me disse: calma, calma, sou Rivaldo e eu vim ajudar a senhora. Resolvi o caso do Amarildo e vou resolver o seu. Sentou o meu sofá, disse a mesma coisa que falou para a mãe da Marielle. Tudo encenação”, disse Terezinha.

O crime

O menino Eduardo de Jesus morreu com um tiro de fuzil durante operação policial no Complexo do Alemão. A Polícia Civil do Rio concluiu que os policiais agiram em legítima defesa, pois estavam enfrentando narcotraficantes, eximindo os agentes de qualquer responsabilidade.

Terezinha de Jesus sempre defendeu que naquele dia não houve confronto que justificasse a tese da legítima defesa. Ela soube do arquivamento da investigação pela imprensa.

O caso teve repercussão nacional e internacional e o caso foi denunciado a Anistia Internacional.
Peça Macacos

Com a aclamada peça Macacos, do piauiense Clayton Nascimento, Terezinha de Jesus tem percorrido o país denunciando o assassinato do filho e pedindo a reabertura do caso.

Em abril do ano passado, Terezinha esteve em Teresina e subiu no palco do FestLuso (Festival de Teatro Lusófono) e fez um apelo emocionante.

Assista aqui:

Fonte: CidadeVerde

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