A Fazenda São Paulo, localizada no município de Conceição do Canindé, sediou nesta quinta-feira (12) o Dia de Campo – Fruteiras de clima temperado e clima úmido na caatinga. O evento reuniu pesquisadores, produtores rurais, técnicos e representantes de instituições parceiras para apresentar resultados de pesquisas que buscam adaptar diferentes espécies frutíferas às condições do semiárido piauiense.
A programação foi dividida em seis estações temáticas. A primeira trouxe a contextualização do dia de campo, conduzida por José Alves da Silva Câmara, analista de transferência de tecnologia e a Embrapa Meio-Norte. Em seguida, os participantes acompanharam apresentações sobre o desempenho agronômico de cultivares na caatinga, incluindo abacaxi, pitaya, pera, figo e açaí, conduzidas por pesquisadores da instituição.
Segundo o pesquisador da Embrapa, Eugênio Celso Emérito Araújo, o projeto faz parte de uma linha de estudos que busca adaptar espécies típicas de regiões frias ou temperadas para ambientes de clima quente. O estudo segue a mesma lógica aplicada com a soja.
“Estamos no início do projeto, mas já temos alguns resultados promissores: com a pitaya, no segundo ano de cultivo, a produtividade está igual à produtividade média nacional. No caso do figo, já superou a produtividade nacional e tem a perspectiva de aumentar”, explicou.

De acordo com o pesquisador, o abacaxi ainda passa por ajustes tecnológicos e o açaí ainda não iniciou a produção, já que a cultura começa a produzir apenas a partir do terceiro ano. A pera apresentou um resultado específico de adaptação.
“A pera tivemos alguns resultados importantes. Nós botamos oito e somente um se adaptou, que foi a pera triunfo, com possibilidade de render até 800 toneladas por hectares. Os estudos precisam continuar, ainda não está na fase de ser lançado e recomendado aos produtores”, acrescentou.
O agricultor e proprietário da Fazenda São Paulo, Valdemir Sena, destacou que a parceria com a Embrapa surgiu a partir de contatos estabelecidos quando atuava na Câmara de Fruticultura do Piauí. Na época, o então governador do Piauí, Wellington Dias, dividiu o Piauí em quatro pontos, com polos de produção e potencialidades.
“Juntamente com o pessoal da Embrapa, fizeram esse projeto das culturas para aplicar na caatinga. O projeto está com dois anos. Eles vão fazer a conclusão e publicar qual foi a variedade que se destacou melhor na nossa região”, pontuou.

Para o superintendente da Codevasf, Marcelo Castro Filho, o experimento pode trazer impactos econômicos importantes para o semiárido, além de ampliar oportunidades aos pequenos agricultores.
“Um experimento muito importante e que vai trazer muito progresso não só para o estado do Piauí, mas para o bioma da caatinga no semiárido brasileiro. É uma resposta econômica positiva para o pequeno agricultor viver bem. A Embrapa está desenvolvendo pesquisas que consolidam o setor produtivo, democratizando o consumo de frutas que hoje são caras para muitas famílias”, enfatizou.

O coordenador do Programa de Assistência Técnica e Gerencial do Senar, Sílvio Brito, destacou a importância do evento para a formação técnica de profissionais que atuam diretamente com produtores rurais. O SENAR, segundo o coordenador, atua no município de Conceição do Canindé há seis anos.
“É um dia de extrema importância. Ao mesmo tempo que nossos técnicos e supervisores têm acesso a mais conhecimentos e informações sobre essas frutíferas, depois podem replicar nas propriedades atendidas pelo programa de assistência técnica”, explicou.

APOIO MUNICIPAL
O prefeito de Conceição do Canindé, Diogo Janes, ressaltou os resultados iniciais do projeto e as perspectivas para o município.
“O mais importante é a questão dos resultados que estão acontecendo. Nós somos um município da caatinga e frutas exóticas normalmente não se desenvolvem nessas áreas. Os resultados estão sendo bem positivos. Dependendo do desenvolvimento dessas frutas, vão ter espaço na agricultura do nosso município”, declarou.

A secretária municipal de Agricultura, Márcia Nascimento, destacou a importância das parcerias para a realização do projeto. De acordo com a representante da pasta, a união entre pesquisa e produtores pode trazer avanços significativos para a agricultura local.
“O projeto foi implantado há dois anos e hoje estamos mostrando os resultados para produtores da nossa região e de municípios vizinhos. Isso mostra que, quando juntamos esses parceiros e levamos novas tecnologias, com as pesquisas que a Embrapa vem desenvolvendo e um manejo adequado, conseguimos alcançar bons resultados”, concluiu.



































































