Na manhã desta quarta-feira (1º), o auditório da Câmara Municipal de Picos ficou lotado para a audiência pública que debateu a situação do transporte coletivo urbano no município. O encontro foi promovido pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) e reuniu autoridades, representantes da empresa concessionária KB Transportes (LDL Turismo), estudantes, professores e a população em geral.
Durante a audiência, usuários relataram dificuldades enfrentadas diariamente. A estudante de jornalismo da UESPI, Roberta Diniz, natural de Pernambuco, destacou os prejuízos no seu dia a dia:








“Quando cheguei aqui não imaginava que o transporte fosse um problema tão grave. A gente já passa por muitas dificuldades de adaptação, estar longe da família, de casa, e enfrentar um serviço caro, inseguro e ineficiente torna tudo ainda mais pesado. Já passei por situações em que o ônibus quebrou no meio do caminho e seguimos viagem em outro veículo sem freio, o que é um risco enorme para a vida de todos. Como universitária, que depende do apoio da família, pagar tarifas altíssimas é inviável. Espero que a partir dessa audiência a gente consiga melhorias reais, porque transporte público não deveria ser o maior problema da vida de um estudante, mas sim uma garantia básica para que possamos chegar à universidade com segurança e dignidade.”, afirmou.
O promotor de Justiça Paulo Maurício Araújo Gusmão, que presidiu a audiência, ressaltou que o objetivo do encontro é ouvir a população e buscar soluções conjuntas.

“O objetivo é ouvir a sociedade sobre o transporte público de Picos. É notório que a empresa enfrenta dificuldades econômicas e que o serviço está precarizado, mas não podemos aceitar que a população seja penalizada por isso. A audiência é um instrumento fundamental de participação popular, para que a comunidade possa contribuir com propostas e soluções. Romper o contrato é uma medida extrema, que deve ser analisada com cautela, mas precisamos discutir alternativas que garantam, no mínimo, o funcionamento adequado do transporte. O Ministério Público não quer impor medidas unilaterais, e sim construir, junto com a prefeitura, a empresa e os usuários, caminhos possíveis. Esse diálogo é a chave para transformar a realidade.”, explicou.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Rinaldinho, destacou que os estudantes são os mais prejudicados e defendeu que o debate gere frutos concretos.

“Os estudantes são os mais prejudicados por esse serviço deficitário, mas não apenas eles. Trabalhadores, idosos e pessoas que dependem do transporte diariamente também sofrem com atrasos, quebras de veículos e a falta de segurança. A Câmara abriu espaço junto ao Ministério Público para que esse debate acontecesse porque sabemos que há muitos anos essa questão vem sendo discutida aqui, mas, infelizmente, o problema persiste. Minha esperança é que, com essa audiência, Executivo, empresa e Ministério Público consigam construir um bom entendimento e que, pela primeira vez, possamos ver mudanças concretas. A população está cansada de promessas e precisa de soluções urgentes.”
Representando a concessionária, o advogado Kleber Curica afirmou que a empresa reconhece as falhas e passa por um processo de transição societária:
“Já estamos dialogando com a prefeitura e o Ministério Público. Vamos propor melhorias na frota, nos serviços e na comunicação com os usuários”, disse.

O procurador-geral do município, Espedito Neiva, explicou que a gestão cumpre decisões judiciais que obrigaram a permanência da empresa, mesmo após tentativa de rescisão do contrato no início do ano:

“A prefeitura fiscaliza o serviço e instaurou processo administrativo para apurar a qualidade do transporte. Seguimos atentos, buscando soluções dentro dos limites legais”, declarou.
Encaminhamentos
Ao final da audiência, foram definidos alguns prazos e medidas:
- Prefeitura deverá vistoriar os ônibus em circulação e notificar a empresa para regularizar itens de segurança em até 48 horas;
- Empresa terá 10 dias para informar sobre alterações societárias e apresentar um plano de melhorias;
- Câmara Municipal acompanhará o processo de perto, considerando as reivindicações apresentadas;
- Ministério Público encaminhará todas as manifestações ao juiz responsável.

