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5 de junho de 2026
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Kassab reúne PSD após condenação de Bolsonaro e reafirma apoio a anistia

Secretário de Governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reuniu a bancada federal de seu partido nesta sexta-feira (12), em Florianópolis, para discutir os temas de interesse da sigla. A proposta de anistia aos condenados pela trama golpista não entrou na pauta.

O encontro semestral já estava marcado, mas coincidiu com a condenação de Jair Bolsonaro (PL), no dia anterior, a 27 anos de prisão por liderar a tentativa de golpe.

Kassab afirma ser favorável à anistia, a exemplo de Tarcísio, mas enfrenta desconfiança de bolsonaristas engajados no tema. A desconfiança se deve, em parte, ao fato de três ministros de Lula (PT) serem do PSD: Carlos Fávaro (Agricultura), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e André de Paula (Pesca).

Como partido, o PSD defende que a proposta seja votada, mas deixa a bancada livre para decidir. A legenda tem 45 deputados federais.

A reunião em Santa Catarina contou com os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR), ambos cotados como potenciais candidatos à Presidência. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), também participou. Nos bastidores, há relatos de que ela é considerada uma opção de vice em uma chapa com Tarcísio, por dialogar com o eleitorado feminino e do Nordeste.

Na pauta do encontro, segundo a assessoria de Kassab, estavam temas como a adoção do voto distrital misto nas eleições. A anistia não foi discutida, de acordo com a equipe do secretário, porque o entendimento do partido sobre o assunto já está definido.

Kassab “reafirma, mais uma vez, sua posição a favor de que o tema seja pautado, além de sua solidariedade ao ex-presidente Bolsonaro e de seu apoio à anistia”, diz nota enviada por sua equipe.

Um bolsonarista ouvido sob reserva ressalta que, na prática, esse posicionamento não garante a Tarcísio os votos da bancada em uma eventual votação da anistia.

Para esse aliado de Bolsonaro, a postura do PSD difere da de União Brasil e Progressistas, que, na primeira semana do julgamento no STF, anunciaram a saída do governo Lula e o apoio à proposta de perdão que beneficiaria o ex-presidente.

Duas semanas após esse anúncio, contudo, os integrantes das duas siglas ainda não deixaram seus cargos.

Na semana passada, durante a etapa final do julgamento que condenou Bolsonaro, o governador de São Paulo evitou aparições públicas. Seu único compromisso foi um evento na segunda-feira (8), na Fiesp, no qual não deu entrevista.

O recuo ocorreu após o discurso de Tarcísio na avenida Paulista, em um protesto contra o julgamento, quando ele classificou os atos do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo, como “tirania”.

Tarcísio é aguardado por aliados em Brasília nesta semana para uma nova rodada de articulações pela aprovação de um projeto que livre Bolsonaro da prisão.

Sua única manifestação pública após a sentença de 27 anos ao ex-presidente foi um texto publicado nas redes sociais, no qual classificou as penas como desproporcionais e as condenações como injustas.

Na última semana, em entrevista à Folha, em Brasília, o vice de Tarcísio, Felício Ramuth, também do PSD, afirmou que dificilmente o partido fechará questão sobre o tema.

Fonte:  Por BRUNO RIBEIRO FOLHAPRESS

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