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3 de abril de 2025
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Sem intérprete de libras, estudante surda está afastada de curso na UFPI

Foto: Arquivo pessoal

A estudante Ana Beatryz, 20 anos, precisou interromper sua caminhada no curso de Arquitetura e Urbanismo após não conseguir acessibilidade. A jovem ingressou na Universidade Federal do Piauí (UFPI) no dia 10 de março depois de ser aprovada no SISU e ter se tornado a primeira aluna surda do curso.

Desde o ingresso, ela enfrentou barreiras relacionadas a falta de acessibilidade. Sem um intérprete oferecido pela instituição, a mãe da aluna e outros estudantes cotizaram para pagar um profissional. Além disso, interpretes voluntários também foram acionados pela família.

Porém, sem verbas para continuar com o custeio de interpretes, Ana Beatryz precisou se afastar do curso. Por meio das redes sociais, a estudante contou que precisaria deixar a sala de aula por não ter mais condições de pagar um intérprete.

“Estou na terceira semana de aula no curso de arquitetura na UFPI. Até hoje, tive acessibilidade para assistir aulas porque minha família e meus colegas de curso organizaram uma vaquinha e pagaram intérpretes de libras para mim. Os recursos acabaram. A UFPI não garantiu meu direito de estudar”, afirma a estudante.

Em nota, a UFPI informou que a contratação de intérpretes por concurso público está suspensa por decisão do governo federal anterior e que foram adotadas medidas emergenciais.

“A Superintendência de Recursos Humanos está providenciando a contratação temporária de um intérprete; a Fadex (Fundação de Apoio) realizará a contratação de um segundo intérprete e está em andamento a seleção de um estagiário do Curso de Letras-Libras para acompanhamento e apoio à estudante”, afirma em nota.

Ao Cidadeverde.com a operadora de caixa, Maria Aparecida, mãe da estudante, conta que a filha entrou na universidade por cota por deficiência e que desde a inscrição no Enem foi informada a condição da estudante. Ela afirma que a filha contou com acessibilidade na realização da prova.

Agora, a mãe da estudante vive a angústia de ver que a filha poder ficar um longo período longe da sala de aula. Isso porque ela conta que o processo de seleção de interprete ainda não tem prazo para ser finalizado.

“Eu tinha até falado que pela UFPI ter o curso de letra libras seria bom, mas quando chegou lá foi o balde de água fria. Fizeram uma reunião de imediato explicando a situação, mas uma situação que não se explica. Eles falam que vão contratar, mas quando vem? A minha angústia é saber qual o dia que esse profissional vai estar em sala de aula. Eu não tenho mais como estar pagando, não tenho mais dinheiro, mas ontem ela não foi porque não consigo mais pagar. Os alunos da turma viram a necessidade, falei para eles que estava tentando pagar porque é manhã e tarde, e eles se reuniram voluntariamente”, explica a mãe da estudante.

Ana Beatryz teve meningite aos 2 anos de idade o que causou a surdez. Ao longo da vida, ela enfrentou dificuldades relacionadas a um mundo mais acessível. A mãe conta que a filha possuía um interprete em sala quando fazia o ensino médio, mas que esse processo também foi conquistado após luta por direitos. Agora, ela vive novamente a dificuldade que já tem deixado Ana Beatriz há dois dias longe do curso que escolheu.

“Ela chorou, está aqui chorosa todos os dias. A dor dela é a minha dor. Eu falei desde cedo que ela poderia fazer o curso que ela quisesse, porque o mundo que tem que dar acessibilidade para ela”, encerra a mãe.

Confira a nota completa

A Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio da Coordenadoria de Inclusão, Diversidade, Equidade e Acessibilidade (COIDEIA/PRAEC), informa que desde o dia 28 de fevereiro, data em que teve ciência da matrícula da estudante ingressante do período 2025.1 no curso de Arquitetura e Urbanismo, vem tomando as providências cabíveis para garantir sua acessibilidade comunicacional.

A UFPI esclarece que a contratação de intérpretes de Libras por concurso público está suspensa por decisão do governo federal anterior, o que impacta diretamente a reposição e ampliação de profissionais na área. Como instituição pública federal, a UFPI está sujeita a normativas legais e etapas administrativas que precisam ser rigorosamente seguidas.

Diante dessa limitação, foram adotadas medidas emergenciais:

• A Superintendência de Recursos Humanos está providenciando a contratação temporária de um intérprete;

• A FADEX (Fundação de Apoio) realizará a contratação de um segundo intérprete;

• Está em andamento a seleção de um(a) estagiário(a) do Curso de Letras-Libras para acompanhamento e apoio à estudante.

As ações foram discutidas em reuniões com a estudante, sua família e as coordenações dos cursos envolvidos. A Universidade reafirma seu compromisso com a inclusão e acessibilidade, mas reforça que atua dentro dos marcos legais e institucionais que regem o serviço público federal.

Estamos empenhados em garantir à estudante as condições adequadas para sua permanência e participação plena na vida acadêmica. 

Fonte: CidadeVerde

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