Com a chegada do período de ventos mais intensos no Piauí, empinar pipas volta a ser uma das brincadeiras preferidas de crianças, adolescentes e até adultos. Apesar de tradicional e recreativa, a atividade exige cuidados para evitar acidentes graves, principalmente quando realizada próxima à rede elétrica ou com o uso de materiais cortantes, como cerol e linha chilena.
De acordo com o executivo de Estudos e Desempenho do Sistema da Equatorial Piauí, Abraão Galeno, os meses de junho, julho e agosto concentram o maior número de ocorrências envolvendo pipas na rede elétrica no estado.
Segundo ele, a recomendação é que a brincadeira aconteça em locais abertos, afastados da fiação elétrica, sempre com a supervisão de um adulto.
“É uma atividade salutar e precisa continuar, porém com todo o cuidado possível, principalmente porque envolve crianças. Caso a pipa fique presa na rede elétrica, nunca se deve tentar retirá-la”, alertou.
Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com

Quase 500 ocorrências em 2025
Os impactos vão além do risco de choque elétrico. Dados da Equatorial mostram que, somente em 2025, foram registradas quase 500 ocorrências de pipas interferindo na rede de distribuição de energia, afetando mais de 80 mil unidades consumidoras em todo o estado.
Em 2026, o cenário continua preocupante. Apenas nos primeiros 15 dias de junho, já foram contabilizadas mais de 120 ocorrências, deixando cerca de 16 mil consumidores sem energia.
“Quando a pipa entra em contato com a rede, pode provocar interrupções no fornecimento e comprometer o atendimento de milhares de clientes. É um problema que chama atenção pelo volume de pessoas afetadas”, destacou Abraão Galeno.
Cerol representa ameaça para motociclistas
Além dos riscos à rede elétrica, o uso de cerol e linha chilena continua sendo uma ameaça para quem circula pelas ruas da capital, especialmente motociclistas.
O presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Teresina, Moura Fé, afirma que a categoria convive todos os anos com o aumento das ocorrências durante o período de maior circulação de pipas.
“Infelizmente, muitas pessoas ainda fazem uso criminoso do cerol. Isso provoca acidentes graves e, em alguns casos, já levou pessoas à morte em várias regiões do país”, afirmou.
Segundo ele, os motociclistas estão entre os mais vulneráveis, já que ficam expostos e trafegam em velocidades que podem potencializar os danos provocados por uma linha cortante.
“Teresina possui uma das maiores frotas de motocicletas do Brasil, com mais de 350 mil motos circulando. Por isso, é fundamental que os condutores estejam atentos e utilizem equipamentos de proteção, como a antena corta-pipa”, ressaltou.
Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com

Uso de linha chilena e cerol é proibido
Em Teresina, a fabricação, comercialização, armazenamento e utilização de linhas chilenas, cerol ou qualquer outro material cortante em pipas são proibidos.
As autoridades orientam que denúncias sobre venda ou uso desses materiais sejam feitas à Polícia Militar, por meio do telefone 190, ou à Guarda Civil Municipal, pelo número 153.
Orientações de segurança
* Soltar pipas apenas em locais amplos e longe da rede elétrica;
* Nunca utilizar cerol, linha chilena ou qualquer material cortante;
* Não tentar retirar pipas presas em fios ou postes;
* Sempre contar com a supervisão de um adulto quando crianças estiverem brincando;
* Motociclistas devem instalar e utilizar antenas corta-pipa;
* Denunciar a comercialização e o uso de linhas cortantes às autoridades.
Fonte: CidadeVerde

